Páginas

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Planejamento semanal

Destaco abaixo trecho de um documento que escrevi pensando em partilhá-lo com minhas colegas de ano na escola. Busquei organizar os temas para estudo afim de que pudesse dialogar com as crianças com maior tranquilidade, sem me prender tanto aos livros didáticos e criando maior tranquilidade para transitar entre as diferentes disciplinas. Na primeira tabela coloco esboços de alguns projetos que pensamos em fazer coletivamente. Na segunda tentei criar uma base para meu plano semanal.

Replanejando o trimestre a partir de temas, para fazer opções entre o que focar antes e depois do recesso.

Destaque para o campo que abarca mais o tema. (vejam que história e geo tem mais presença neste tri. Se forem olhar o planejamento Ciências tem maior presença no terceiro)
temas
História
matemática
geografia
ciências
português
Bairro
· Livro “nosso bairro tem história”
· Fazenda Roseira: destaque para movimento de resistência
Gráficos de moradores de bairros diferentes na turma
Uso do Google Maps: identificação do Bairro e seus limites
Preservação ambiental no bairro.
Leitura compartilhada de reportagem sobre Fazenda Roseira: destaque para componentes do gênero.
HQ ambientada em algum lugar do bairro.
Memórias de infância e Bairro
Livro did. “Música também tem história”
Problemas de comparação de anos e idades.



Memórias de infância
Livro Didático: “A hist. É construída por todos”


Produção de uma narrativa
Corpo
Fósseis . Livro did. Fontes materiais. Mais aula expositiva com materiais sobre fósseis o reconhecimento de que os mamíferos descendem de animais próximos, por meio da coluna vertebral: descoberta de Darwin.
Problemas a partir de textos de curiosidades com quantidades de partes de corpos de animais e afins...
Diferenças  biológicas culturais nos corpos do mundo todo.
Cérebro (demanda do 3o. D)
Coluna vertebral e vértebras de animais.
Vertebrados e invertebrados.
Comparação de animais com órgãos diferentes: levantamento de um órgão com as crianças
Leitura de textos científicos.

As terças: Contos de Fadas.
  
Base para tri:
horários
segunda
terça
quarta
quinta
sexta

Ciências e mat
Contos de fadas port.
Hist. Mat port.
Hist ou ciências - port.
Geo  mat
13h – 13h50m
·  Troca de ajudantes
·  Tapete para Hugo
·  Escrita para Roda de conversa: partilha de algo, sugestão para o trabalho da turma orientada pela prô (ex.: hj vamos escolher um órgão para ser comparado. Escolha e justifica para a partilha na roda)
Reagrupamento
Grupos
Atv mat
Atv port.
Atv com Hugo
Grupos
Atv mat
Atv port.
Atv com Hugo
Grupos
Atv mat
Atv port.
Atv com Hugo

13h50m – 14h40m
Ed. Física
parque
Ed. Física
Rotina:
Atv hist.ou cências
Brinquedos

14h40m – 15h
Lanche

Lanche
Lanche
Lanche
15h 30 – 16h20m
Atv ciências
Atv mat.

Leitura compartilhada
Artes
Rotina na lousa
Atividades de geo/mat

16h20m – 17h10m
Roda
Organização dos grupos

Mat.
Inglês
Atividades de geo
17h10m-18h
Artes

Jogos de leitura ( ver na sala de jogos)
Auto avaliação.
Ed. Física (TDI)
Informática: Atividades de leitura de mapas

Três desafios e três perspectivas...

Assista o vídeo:
SALTO PARA O FUTURO: EDIÇÃO ESPECIAL COM SÉRIE DE DEBATES SOBRE ALFABETIZAÇÃO
Debate 1 - O ciclo de alfabetização em debate: Muito a ensinar e a aprender (http://tvescola.mec.gov.br/index.php?option=com_zoo&view=item&item_id=13194)
Após assistir o vídeo reflita e escreva sobre:

Refletindo sobre os aspectos abordados no vídeo, olhando para o seu trabalho e para o seu planejamento, pense e escreva, três desafios e três perspectivas que temos hoje sobre a questão do ensinar e aprender, sobre a alfabetização e sobre o leitor e escritor que estamos formando.

Sinopse do vídeoQuem nunca ouviu uma mãe ou um pai falar que assim, meio que de repente, seu filho começou a ler e a escrever? Mas quem estuda os processos de alfabetização sabe que essa aprendizagem não acontece de um dia para o outro. É, na verdade, resultado de pesquisa e de muito planejamento da escola e dos professores alfabetizadores. Nesse programa, vamos falar do que está em jogo nessa etapa, que compreende dos seis aos oito anos de idade.

1o. Desafio/ Perspectiva
Qual a idade para alfabetizar uma criança?
O ciclo.
Ao observar não somente meu planejamento, mas de todas as colegas que comigo trabalham e ouso dizer, de  muitas da rede municipal de Campinas, não vemos a questão do ciclo como ponto forte de nossas preocupações. pelo menos não, nas registradas em forma de planos.
Na questão da alfabetização vejo que o trabalho com ciclo se faz necessário e pode minimizar ansiedades, promovendo maior consciência e consistência do trabalho com a alfabetização em seus sentidos múltiplos, sem segmentar ações voltadas à interpretação ou somente à compreensão da lógica do sistema alfabético, por exemplo.
Uma organização em ciclo, feita de maneira coletiva entre as professoras pode gerar possibilidades de reorganização de agrupamentos com diferentes objetivos garantindo que durante os três anos o desenvolvimento da escrita e da leitura se dê de maneira integral, com acesso e trabalho com diferentes suportes de textos.

2o. Desafio/ Perspectiva
Concepção do que é estar alfabetizado e como planejamos nossas ações para alcançarmos objetivos comuns no processo de alfabetização das crianças.
Penso que nosso maior desafio para garantir que as crianças sejam alfabetizadas em uma concepção crítica, que considere a maneira como as crianças se relacionam com os textos e com a palavra e que promova formas autônomas de relacionamento destas com a escrita e a leitura é a sistematização deste trabalho, sem criar amarras que nos impeçam de criar em diálogo com as crianças.
Como garantir um crescimento progressivo e que possa ser compartilhado por diferentes turmas, de diferentes professoras de um mesmo ano, por exemplo, sem criar modelos de atividades que necessariamente precisem ser "aplicadas" ao mesmo tempo? Sem criarmos objetivos a serem alcançados em um mesmo período idêntico? Mas ao mesmo tempo garantirmos um trabalho que atenda aos mesmo grandes objetivos em um ano? Penso que nossa insegurança em termos de metodologia e nosso pouco tempo de estudo e planejamento coletivo dificultam trabalhos criativos, que dialoguem com as crianças e entendam os processos de alfabetização em uma concepção libertária ou que dialogue com conceitos de letramento, por exemplo.

3o. Desafio/ Perspectiva
A Alfabetização na perspectiva do letramento... e a avaliação
Discutimos um pouco da avaliação externa de leitura (Provinha Brasil) em nossos encontros e o vídeo retoma esta questão, que para mim é crucial no processo de alfabetização, tanto para pensarmos no uso que fazemos dos instrumentos que criamos na escola, como na maneira como comunicamos a maneira como trabalhamos aos pais, - por vezes unicamente- fazendo usos destes instrumentos.
Tenho feito algumas tentativas de planejar e registrar a aprendizagem das crianças de outra maneira que não somente por "provas". Mas tenho encontrado muitas dificuldades. Tanto no ato de planejar como no momento de inserir no cotidiano novas formas de registro do conhecimento que as crianças tem em relação à língua escrita.
Vejo que o diálogo com as avaliações externas é necessário e deve se dar muito mais pelo coletivo docente do que na relação com as crianças, ou seja, não devemos usar os instrumentos externos "como modelo" para os nossos e sim ampliar formas de registros que complementes estes primeiros e enriqueçam nossas concepções de alfabetização com mostras do que as crianças pensam sobre a língua durante o processo de alfabetização. Este para mim é O grande desafio!!



Da leitora que sou à leitores que formo - breve reflexão




Pense e escreva sobre:
Realizando uma retrospectiva histórica do ponto de vista de suas experiências escolares, que leitora e escritora se tornou?
Essas experiências influenciam ou influenciaram na maneira como organiza e ensina seus alunos a ler e escrever?  De que maneira contribui para seus alunos se tornem leitores e escritores? Que leitores e escritores está formando?




Ainda vejo com certa distâncias os processos que me constituíram leitora e os que constituem - com minha intervenção- meus alunos e alunas.

Não tenho boas lembranças de meu processo de aprendizagem da leitura. Da aprendizagem da escrita tenho quase nada de lembranças!

Com a leitura ainda temos mais experiências compartilhadas... Talvez seja isso. Lembro de ler como minha mãe, para dar tempo de cumprir as tarefas exigidas pela escola. Não tenho imagens de leitura por fruição em casa. Nem na escola.

Meu prazer pela leitura veio com o prazer pelo estudo da/na profissão. Está associado ao prazer pela descoberta dos temas ligados à educação de maneira geral. Foi no curso de magistério que reconheci algum gosto pela leitura.Sempre feita para /pelo estudo.

Na faculdade, pelo convívio com colegas e amigas e pela indicação de alguns professores, tomei contato com a literatura por fruição: conheci alguns poetas e suas obras e os tomei como fonte de inspiração, distração e lazer desde então.

Mesmo assim, ainda entendo que leio poucos textos que não sejam para o trabalho.Estes textos – vinculados ao tema Educação- ainda me dão muito prazer e motivam, por vezes, a busca pelos textos de literatura. Tenho a sorte de não separar “vida e trabalho” e de tomar meu trabalho como fonte de autoconhecimento!

Escritores como Mia Couto, Clarice Lispector, Adelia Prado,Neruda, Fernando Pessoa, Saramago, Lia Luft e outros do campo da psicologia que analisam contos e mitos estiveram na cabeceira da minha cama nos últimos anos. Talvez mais alguns que eu tenha esquecido...


Lembro agora de Amyr Klink! Sim, este esteve em minha bolsa... Devorei seu texto “Cem dias entre o céu e o mar” em poucos dias com o intuito de avaliá-lo para propor sua leitura para as crianças... Mais uma vez o trabalho me leva à estante da literatura – não só infanto-juvenil.

Acabo de ler com as crianças “A Invenção de Hugo Cabret”, de Brian Selznick. Livro de 533 páginas que empoderou as crianças. Terminei a leitura com perguntas sobre qual seria nossa próxima leitura! Ficou a certeza de que livros “enormes” são legíveis e podem ser divertidos!


Tenho feito apostas no sentido de desmistificar a ideia de que há “textos” para crianças de 3o ano ou de 1o que não possam ser lidos para 5o ano ou vice-versa...

Faço um esforço para que as experiências de leitura e de escrita sejam compartilhadas em aula, que criemos sentidos múltiplos que não só a “resposta” ao pedido da professora. Que possam escrever para o outro, com o outro e ler assim também.

Sinto que peco na minha capacidade de sistematizar exercícios na rotina. Não consigo dizer que faço “tal atividade” ,tantas vezes na semana para atingir “tal objetivo”. Faço, sim, atividades onde intencionalmente as crianças fazem uso da leitura para diversos fins: pesquisa, fruição, treino de suas dificuldades com a língua escrita, semanalmente.

Com a escrita, de maneira semelhante, escrevem: para comunicarem ideias, para registrar aprendizagens e refletir sobre algo.
Início de texto sobre o livro de Amyr Klink, em momento de escrita livre.
 Imagem de meu acervo pessoal. Do ano de 2009.


Assim espero que esteja formando leitores e escritores com menos medo do que eu tive de interagir com a língua escrita, fazendo uso de textos com maior prazer sempre que puderem!