Realizando uma retrospectiva
histórica do ponto de vista de suas experiências escolares, que leitora e
escritora se tornou?
Essas experiências influenciam ou
influenciaram na maneira como organiza e ensina seus alunos a ler e
escrever? De que maneira contribui para
seus alunos se tornem leitores e escritores? Que leitores e escritores está
formando?
Ainda vejo com certa distâncias os processos que me constituíram leitora e os que constituem - com minha intervenção- meus alunos e alunas.
Não tenho boas lembranças de meu processo de aprendizagem da leitura. Da aprendizagem da escrita tenho quase nada de lembranças!
Com a leitura ainda temos mais experiências compartilhadas... Talvez seja isso. Lembro de ler como minha mãe, para dar tempo de cumprir as tarefas exigidas pela escola. Não tenho imagens de leitura por fruição em casa. Nem na escola.
Meu prazer pela leitura veio com o prazer pelo estudo da/na profissão. Está associado ao prazer pela descoberta dos temas ligados à educação de maneira geral. Foi no curso de magistério que reconheci algum gosto pela leitura.Sempre feita para /pelo estudo.
Na faculdade, pelo convívio com colegas e amigas e pela indicação de alguns professores, tomei contato com a literatura por fruição: conheci alguns poetas e suas obras e os tomei como fonte de inspiração, distração e lazer desde então.
Mesmo assim, ainda entendo que leio poucos textos que não sejam para o trabalho.Estes textos – vinculados ao tema Educação- ainda me dão muito prazer e motivam, por vezes, a busca pelos textos de literatura. Tenho a sorte de não separar “vida e trabalho” e de tomar meu trabalho como fonte de autoconhecimento!
Escritores como Mia Couto, Clarice Lispector, Adelia Prado,Neruda, Fernando Pessoa, Saramago, Lia Luft e outros do campo da psicologia que analisam contos e mitos estiveram na cabeceira da minha cama nos últimos anos. Talvez mais alguns que eu tenha esquecido...
Lembro agora de Amyr Klink! Sim, este esteve em minha bolsa... Devorei seu texto “Cem dias entre o céu e o mar” em poucos dias com o intuito de avaliá-lo para propor sua leitura para as crianças... Mais uma vez o trabalho me leva à estante da literatura – não só infanto-juvenil.
Acabo de ler com as crianças “A Invenção de Hugo Cabret”, de Brian Selznick. Livro de 533 páginas que empoderou as crianças. Terminei a leitura com perguntas sobre qual seria nossa próxima leitura! Ficou a certeza de que livros “enormes” são legíveis e podem ser divertidos!
Tenho feito apostas no sentido de desmistificar a ideia de que há “textos” para crianças de 3o ano ou de 1o que não possam ser lidos para 5o ano ou vice-versa...
Faço um esforço para que as experiências de leitura e de escrita sejam compartilhadas em aula, que criemos sentidos múltiplos que não só a “resposta” ao pedido da professora. Que possam escrever para o outro, com o outro e ler assim também.
Sinto que peco na minha capacidade de sistematizar exercícios na rotina. Não consigo dizer que faço “tal atividade” ,tantas vezes na semana para atingir “tal objetivo”. Faço, sim, atividades onde intencionalmente as crianças fazem uso da leitura para diversos fins: pesquisa, fruição, treino de suas dificuldades com a língua escrita, semanalmente.
Com a escrita, de maneira semelhante, escrevem: para comunicarem ideias, para registrar aprendizagens e refletir sobre algo.
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| Início de texto sobre o livro de Amyr Klink, em momento de escrita livre. Imagem de meu acervo pessoal. Do ano de 2009. |
Assim espero que esteja formando leitores e escritores com menos medo do que eu tive de interagir com a língua escrita, fazendo uso de textos com maior prazer sempre que puderem!



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