1.
História: Não confunda... Eva Furnari
2. Retomar a questão da provinha Brasil
pensando nas capacidades de leitura envolvidas nas diversas
práticas letradas (ROJO, p.4-6): capacidades de decodificação, capacidades de
compreensão (estratégias), capacidades de apreciação e réplica do leitor em
relação ao texto (interpretação, interação)
Capacidades de leitura
envolvidas nas diversas práticas letradas[1]
Como vimos enfatizando, diferentes tipos de
letramento, diferentes práticas de leitura, em diversas situações, vão exigir
diferentes combinações de capacidades de várias ordens. São elas:
Capacidades de decodificação[2]
• Compreender diferenças entre escrita e outras formas gráficas
(outros sistemas de representação);
• Dominar as convenções gráficas;
• Conhecer o alfabeto;
• Compreender a natureza alfabética do nosso sistema de escrita;
• Dominar as relações entre grafemas e fonemas;
• Saber decodificar palavras e textos escritos;
• Saber ler reconhecendo globalmente as palavras;
• Ampliar a sacada do olhar para porções maiores de texto que
meras palavras, desenvolvendo assim fluência e rapidez de leitura.
Estas são capacidades básicas, que em geral são ensinadas e
aprendidas durante o processo de alfabetização, nas séries iniciais do Ensino
Fundamental. No entanto, não se dão por si sós, sem a contribuição de outras
capacidades de compreensão, apreciação e réplica.
Capacidades de compreensão (estratégias)[3]
• Ativação de conhecimentos de mundo: previamente à leitura ou
durante o ato de ler, o leitor está constantemente colocando em relação seu
conhecimento amplo de mundo com aquele exigido e utilizado pelo autor no texto.
Caso esta sincronicidade falhe, haverá uma lacuna de compreensão, que será
preenchida por outras estratégias, em geral de caráter inferencial.
• Antecipação ou predição de conteúdos ou propriedades dos textos:
O leitor não aborda o texto como uma folha em branco. A partir da situação de
leitura, de suas finalidades, da esfera de comunicação em que ela se dá; do
suporte do texto (livro, jornal, revista, out-door etc.); de sua disposição na
página; de seu título, de fotos, legendas e ilustrações, o leitor levanta
hipóteses tanto sobre o conteúdo como sobre a forma do texto ou da porção
seguinte de texto que estará lendo. Esta estratégia opera durante toda a
leitura e é também responsável por uma velocidade maior de processamento do
texto, pois o leitor não precisará estar preso a cada palavra do texto, podendo
antecipar muito de seu conteúdo. Como dizia Frank Smith (1989), trata-se de um
“jogo de adivinhação”.
• Checagem de hipóteses: Ao longo da leitura, no entanto, o leitor
estará checando constantemente essas suas hipóteses, isto é, confirmando-as ou
desconfirmando-as e, conseqüentemente, buscando novas hipóteses mais adequadas.
Se assim não fosse, o leitor iria por um caminho e o texto por outro.
• Localização e/ou cópia de informações: Em certas práticas de
leitura (para estudar, para trabalhar, para buscar informações em
enciclopédias, obras de referência, na Internet), o leitor está constantemente
buscando e localizando informação relevante, para armazená-la – por meio de
cópia, recorte-cole, iluminação ou sublinhado – e, posteriormente, reutilizá-la
de maneira reorganizada. É uma estratégia básica de muitas práticas de leitura
(mas não de outras, como a leitura de entretenimento ou de fruição), mas também
não opera sozinha, sem a contribuição das outras que estamos comentando.
• Comparação de informações: Ao longo da leitura, o leitor está
constantemente comparando informações de várias ordens, advindas do texto, de
outros textos, de seu conhecimento de mundo, de maneira a construir os sentidos
do texto que está lendo. Para atividades específicas, como as de resumo ou
síntese do texto, esta comparação é essencial para medir relevância das
informações que deverão ser retidas.
• Generalização (conclusões gerais sobre fato, fenômeno, situação,
problema, etc. após análise de informações pertinentes): Uma das estratégias
que mais contribui para a síntese resultante da leitura é a generalização
exercida sobre enumerações, redundâncias, repetições, exemplos, explicações
etc. Ninguém guarda um texto fielmente na memória. Podemos guardar alguns de
seus trechos ou citações que mais nos impressionaram, mas em geral armazenamos
informações na forma de generalizações responsáveis, em grande parte, pela
síntese.
• Produção de inferências locais: No caso de uma lacuna de
compreensão, provocada
por exemplo, por um vocábulo ou uma estrutura desconhecidos,
exerceremos estratégias inferenciais, isto é, descobriremos, pelo contexto
imediato do texto (a frase, o período, o parágrafo) e pelo significado
anteriomente já construído, novo significado para este termo até então
desconhecido.
• Produção de inferências globais: Nem tudo está dito ou posto num
texto. O texto
tem seus implícitos ou pressupostos que também têm de ser
compreendidos numa leitura efetiva. Para fazê-lo, o leitor lança mão, ao mesmo
tempo, de certas pistas que o autor deixa no texto, do conjunto da significação
já construída e de seus conhecimentos
[1]
Rojo, Roxane. Letramento e capacidades de leitura para a cidadania.
[2]Os
descritores deste subtítulo foram, em sua maioria, retirados de material
intitulado Alfabetizando – Caderno 2: Orientações para a organização do ciclo
inicial de alfabetização, elaborado por equipe do Centro de Alfabetização,
Leitura e Escrita (CEALE) da Faculdade de Educação (FAE) da UFMG para a
Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais (SEE-MG).
Ver em http://www.fae.ufmg.br/ceale/caderno%202.pdf.
[3] No
próximo subtítulo, os descritores foram retirados dos crítérios de avaliação
dos Livros Didáticos de Língua Portuguesa (5ª a 8ª séries, PNLD/2005), tal como
figuram na Ficha de Avaliação da área, elaborada por equipe ligada ao MEC e ao
CEALE/FAE/UFMG, por mim supervisionada. Ver em http://www.fnde.gov.br/guiasvirtuais/pnld2005/index.html, Língua
Portuguesa.
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3. Atividades em duplas: Descrição das habilidades dos níveis de desempenho e pesquisa/relato de atividades desafiadoras para o avanço.
Partilhei propostas de atividades com a profa Vanessa, que atua hoje, com um primeiro ano. Pensamos em atividades para crianças que escrevem com hipóteses silábicas ou silábico- alfabética e ainda não lêem.
Pensamos em trabalho com legendas de fotos, escrita de bilhetes para brincadeira de amigo secreto, advinhas (com e sem respostas ) e na confecção de um livrinho. Todas essas seriam atividades que envolveriam também a escrita, além da leitura.
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3. Atividades em duplas: Descrição das habilidades dos níveis de desempenho e pesquisa/relato de atividades desafiadoras para o avanço.
Partilhei propostas de atividades com a profa Vanessa, que atua hoje, com um primeiro ano. Pensamos em atividades para crianças que escrevem com hipóteses silábicas ou silábico- alfabética e ainda não lêem.
Pensamos em trabalho com legendas de fotos, escrita de bilhetes para brincadeira de amigo secreto, advinhas (com e sem respostas ) e na confecção de um livrinho. Todas essas seriam atividades que envolveriam também a escrita, além da leitura.


