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sábado, 13 de outubro de 2012

31 de julho


1.            História: Não confunda... Eva Furnari


2. Retomar a questão da provinha Brasil pensando nas capacidades de leitura envolvidas nas diversas práticas letradas (ROJO, p.4-6): capacidades de decodificação, capacidades de compreensão (estratégias), capacidades de apreciação e réplica do leitor em relação ao texto (interpretação, interação)


Capacidades de leitura envolvidas nas diversas práticas letradas[1]

Como vimos enfatizando, diferentes tipos de letramento, diferentes práticas de leitura, em diversas situações, vão exigir diferentes combinações de capacidades de várias ordens. São elas:
Capacidades de decodificação[2]
• Compreender diferenças entre escrita e outras formas gráficas (outros sistemas de representação);
• Dominar as convenções gráficas;
• Conhecer o alfabeto;
• Compreender a natureza alfabética do nosso sistema de escrita;
• Dominar as relações entre grafemas e fonemas;
• Saber decodificar palavras e textos escritos;
• Saber ler reconhecendo globalmente as palavras;
• Ampliar a sacada do olhar para porções maiores de texto que meras palavras, desenvolvendo assim fluência e rapidez de leitura.
Estas são capacidades básicas, que em geral são ensinadas e aprendidas durante o processo de alfabetização, nas séries iniciais do Ensino Fundamental. No entanto, não se dão por si sós, sem a contribuição de outras capacidades de compreensão, apreciação e réplica.

Capacidades de compreensão (estratégias)[3]
• Ativação de conhecimentos de mundo: previamente à leitura ou durante o ato de ler, o leitor está constantemente colocando em relação seu conhecimento amplo de mundo com aquele exigido e utilizado pelo autor no texto. Caso esta sincronicidade falhe, haverá uma lacuna de compreensão, que será preenchida por outras estratégias, em geral de caráter inferencial.
• Antecipação ou predição de conteúdos ou propriedades dos textos: O leitor não aborda o texto como uma folha em branco. A partir da situação de leitura, de suas finalidades, da esfera de comunicação em que ela se dá; do suporte do texto (livro, jornal, revista, out-door etc.); de sua disposição na página; de seu título, de fotos, legendas e ilustrações, o leitor levanta hipóteses tanto sobre o conteúdo como sobre a forma do texto ou da porção seguinte de texto que estará lendo. Esta estratégia opera durante toda a leitura e é também responsável por uma velocidade maior de processamento do texto, pois o leitor não precisará estar preso a cada palavra do texto, podendo antecipar muito de seu conteúdo. Como dizia Frank Smith (1989), trata-se de um “jogo de adivinhação”.
• Checagem de hipóteses: Ao longo da leitura, no entanto, o leitor estará checando constantemente essas suas hipóteses, isto é, confirmando-as ou desconfirmando-as e, conseqüentemente, buscando novas hipóteses mais adequadas. Se assim não fosse, o leitor iria por um caminho e o texto por outro.
• Localização e/ou cópia de informações: Em certas práticas de leitura (para estudar, para trabalhar, para buscar informações em enciclopédias, obras de referência, na Internet), o leitor está constantemente buscando e localizando informação relevante, para armazená-la – por meio de cópia, recorte-cole, iluminação ou sublinhado – e, posteriormente, reutilizá-la de maneira reorganizada. É uma estratégia básica de muitas práticas de leitura (mas não de outras, como a leitura de entretenimento ou de fruição), mas também não opera sozinha, sem a contribuição das outras que estamos comentando.
• Comparação de informações: Ao longo da leitura, o leitor está constantemente comparando informações de várias ordens, advindas do texto, de outros textos, de seu conhecimento de mundo, de maneira a construir os sentidos do texto que está lendo. Para atividades específicas, como as de resumo ou síntese do texto, esta comparação é essencial para medir relevância das informações que deverão ser retidas.
• Generalização (conclusões gerais sobre fato, fenômeno, situação, problema, etc. após análise de informações pertinentes): Uma das estratégias que mais contribui para a síntese resultante da leitura é a generalização exercida sobre enumerações, redundâncias, repetições, exemplos, explicações etc. Ninguém guarda um texto fielmente na memória. Podemos guardar alguns de seus trechos ou citações que mais nos impressionaram, mas em geral armazenamos informações na forma de generalizações responsáveis, em grande parte, pela síntese.
• Produção de inferências locais: No caso de uma lacuna de compreensão, provocada
por exemplo, por um vocábulo ou uma estrutura desconhecidos, exerceremos estratégias inferenciais, isto é, descobriremos, pelo contexto imediato do texto (a frase, o período, o parágrafo) e pelo significado anteriomente já construído, novo significado para este termo até então desconhecido.
• Produção de inferências globais: Nem tudo está dito ou posto num texto. O texto
tem seus implícitos ou pressupostos que também têm de ser compreendidos numa leitura efetiva. Para fazê-lo, o leitor lança mão, ao mesmo tempo, de certas pistas que o autor deixa no texto, do conjunto da significação já construída e de seus conhecimentos




[1] Rojo, Roxane. Letramento e capacidades de leitura para a cidadania.

[2]Os descritores deste subtítulo foram, em sua maioria, retirados de material intitulado Alfabetizando – Caderno 2: Orientações para a organização do ciclo inicial de alfabetização, elaborado por equipe do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (CEALE) da Faculdade de Educação (FAE) da UFMG para a Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais (SEE-MG).
Ver em http://www.fae.ufmg.br/ceale/caderno%202.pdf.

[3] No próximo subtítulo, os descritores foram retirados dos crítérios de avaliação dos Livros Didáticos de Língua Portuguesa (5ª a 8ª séries, PNLD/2005), tal como figuram na Ficha de Avaliação da área, elaborada por equipe ligada ao MEC e ao CEALE/FAE/UFMG, por mim supervisionada. Ver em http://www.fnde.gov.br/guiasvirtuais/pnld2005/index.html, Língua Portuguesa.
____________________



3.            Atividades em duplas: Descrição das habilidades dos níveis de desempenho e pesquisa/relato de atividades desafiadoras para o avanço.

Partilhei propostas de atividades com a profa Vanessa, que atua hoje, com um primeiro ano. Pensamos em atividades para crianças que escrevem com hipóteses silábicas ou silábico- alfabética e ainda não lêem.


Pensamos em trabalho com legendas de fotos, escrita de bilhetes para brincadeira de amigo secreto, advinhas (com e sem respostas ) e na confecção de um livrinho. Todas essas seriam atividades que envolveriam também a escrita, além da leitura.

24 de julho


Lemos juntas...

Texto: Para ensinar a ler – Rosaura Soligo
Extraído do Módulo 1 – Programa de Formação de Professores Alfabetizadores – PROFA.
Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/colet_m1.pdf>. Acesso em ou. de 2012.

Assistims juntas...
Vídeo ilustrativo: O que acontece quando lemos



O vídeo foi feito tendo o texto da profa. Rosaura quase que como "roteiro". 
O debate foi bom, no sentido de termos associado outras conversas a respeito da importância em considerar o envolvimento da criança com o tema do texto que apresentamos... A importância do sentido que oferecemos à quem lê... O sentido atribuído à leitura altera completamente a compreensão que podemos ter do que lemos...



Leitura complementar:
Como o cérebro aprende a ler – Revista Presença Pedagógica 


Encontro de 3 de julho

Leitura feita pela Dani:


Sugestão de leitura:

A importância do trabalho com o nome como escrita e leitura de palavras estáveis e significativas para as crianças.
Ler:

SITUAÇÕES DE LEITURA E ESCRITA DE NOMES. IN: material Ler e escrever: Guia de Planejamento e Orientações Didáticas – Professor Alfabetizador – 1º ano – Volume I - p. 35-44.

Por demanda da professora Vanessa retomamos o tema do uso de letra Caixa Alta na alfabetização inicial:
Questão de relevância: por que caixa alta?

Recebemos a profa. Beth Pimentel para uma conversa e breve análise da provinha Brasil.

O que ela nos aponta como necessidade de trabalho em aula?

Até mais ou menos a questão 11, questões buscam verificar o quanto a criança conhece o sistema alfabético de escrita.

A presença da letra de imprensaocorre em toda a prova: o quanto apresentamos diferentes tipos de letras desde o 1o ano?

Estimulamos nossos alunos a fazer inferências na busca de informação nos textos?

Trabalhamos com outros tipos de textos que não os narrativos?



Como a Provinha atua como elemento de formação para o professor?

Em Campinas, o que fazemos com isso?

A prova não deve ser tomada como modelo de atividade a ser aplicada.

No programa pró-letramento há avaliações mais contextualizadas.

Resenha do texto de Roxane Rojo


Curso Ler e Escrever - Iniciante
Reposição da aula de 22/05/2012 – Parte 2.

Resenha do Capítulo “Letramento[s] – práticas de letramento em diferentes contextos, do livro Letramentos múltiplos – escola e inclusão social, de Roxane Rojo.
Maria Fernanda Pereira Buciano

Roxane Rojo, autora do texto em questão, apresenta considerações políticas importantes para o trabalho leitura e escrita na escola.
No sexto capítulo do livro “Letramentos múltiplos – escola e inclusão social”, ROJO nos apresenta o termo ‘letramento’ vinculado aos múltiplos sentidos que uma abordagem mais ‘social’ que cognitiva possa dar ao processo de aquisição da língua escrita.
[...] vale a pena insistir na distinção: o termo alfabetismo tem um foco individual, bastante ditado pelas capacidades e competências (cognitivas e lingüísticas) escolares e valorizadas de leitura e escrita (letramentos escolares e acadêmicos), numa perspectiva psicológica, enquanto o termo letramento busca recobrir os usos e práticas sociais de linguagem que envolvem a escrita de uma ou de outra maneira, sejam eles valorizados ou não valorizados, locais ou globais, recobrindo contextos sociais diversos. (ROJO, 2009, p. 98)

Para tanto, traz pesquisadores como STREET, SOARES e KLEIMAN, diferenciando diferentes modos de compreender o conceito de letramento, dependendo da época e do contexto social e político. Destaca da obra desses autores concepções chamadas “autônomas” e/ou “fracas” assim como as ditas “ideológicas” ou “fortes”. Descrevendo assim como cada um destes termos vinculados à palavra letramento significa uma forma de compreender as práticas de leitura como processo de aprendizagem marcado por diferentes culturas ou como desenvolvimento de competências universais para adaptação às necessidades do convívio social em um mundo letrado.
            A versão “forte” de letramento (SOARES) próxima à um enfoque “ideológico” (STREET) não traz em si a preocupação de que o sujeito se “adapte” ao mundo letrado, mas o leia criticamente, considerando a interpretação que faz daquilo que circula no meio letrado como um leitura possível entre outras, assim como aquilo que produz como forma de expressão, oral, escrita, áudio-visual também insere-se em um mundo diverso e heterogênio.
            A autora, em diálogo com HAMILTON, nos apresenta também, a ideia de que podemos hoje falar em letramentoS. Considerando que há um conjunto de práticas de leitura e escrita vinculadas às instituições (de ensino, religiosas...) e outras que circulam no cotidiano, reguladas por um uso corrente e que em geral são desvalorizadas e sobrevivem como forma de resistência às primeiras. Estas, chamadas pelo autor de “dominantes” não acontecem desvinculadas das práticas cotidianas chamadas por HAMILTON de “vernaculares”, sendo assim interligadas.
          
Um dos objetivos da escola é justamente possibilitar que seus alunos possam participar de várias práticas sociais que se utilizam da leitura e da escrita (letramentos) na vida da cidade, de maneira ética, crítica e democrática. (ROJO, 2009, p. 107)

          ROJO, ainda em diálogo com HAMILTON, destaca que na escola desvalorizamos práticas de letramento que não sejam as dominantes. E nos alerta para as escolhas que fazemos em nossos planejamentos e na maneira como valorizamos ou não práticas de leitura e escrita correntes fora da escola, cotidianamente, na vida de nossos estudantes.
            Para nos auxiliar no entendimento e produção de um trabalho pedagógico que considere letramentos múltiplos, a autora dialoga com Bakhtin em dois conceitos: esferas de atividades e gêneros discursivos. Assim, cita exemplos de práticas cotidianas que realizamos, por vezes automaticamente, em diferentes esferas: doméstica, escolar, íntima, de entretenimento... dentre outras. No decorrer do texto conseguimos então, criar relações entre o modo como nos relacionamos com outros destas/nestas esferas e os “tipos relativamente estáveis de enunciados” que produzimos em cada uma destas, denominados como “gêneros do discurso” por Bakhtin.
Compreendemos que uma conversa com o namorado no MSN, permite o uso de um vocabulário e modo de escrever diferente da dissertação entregue no curso de formação, ou do bilhete deixado para a secretária da empresa em que sua amiga trabalha como administradora, por exemplo. Podemos também reconhecer textos publicitários e com uma leitura crítica do que o produz e seus objetivos chegamos até a negá-lo e criticá-lo. Podemos? Negamos? Como desnaturalizar discursos naturalizados pela grande mídia? Que “enunciados relativamente estáveis” circula neste ou naquele meio de comunicação? Quem os produz? Com quais interesses?
Questões suscitadas por ROJO e que a autora atrela ao chamado letramento crítico, que nos educa para lidarmos com diferentes textos e seus discursos.
Letramento este que, segundo a autora, juntamente aos letramentos multissemióticos – leitura e produção de textos em diversas linguagens- e aos multiculturais – que consideram produções letradas de diferentes universos sendo estas dominantes ou não-, podem nos ajudar a responder ao desejo de elaborarmos um modo de trabalho que signifiquemos como adequado para o mundo contemporâneo.

[...] ao organizar programas de ensino, o professor pode considerar que gêneros de que esferas ( e com que práticas letradas, capacidades de leitura e produção agregadas) devem/podem ser selecionados para abordagem e estudo, organizando uma progressão curricular. A questão é que , para responder a essa questão, é preciso ter princípios norteadores. (ROJO, 2009, p.120)


Este é um texto interessante que apresenta conceitos complexos ligados a uma discussão na qual nos debatemos desde a década de 1970 no Brasil: como alfabetizar produzindo uma leitura de mundo, que necessariamente preceda a leitura da palavra? Questão produzidas com palavras muito usadas pelo mestre Paulo Freire.
Ainda tomando-o como referência para o estudo do texto de ROJO, digo que alteraria o fim de seu capítulo, onde diz que precisamos ter ‘princípios norteadores’ para o planejamento de uma progressão curricular. Eu diria que precisamos reinventar nossos ‘eixos’ buscando “suleá-los[1]” por meio de princípios que apontem para onde as respostas das seguintes perguntas nos levam: A quem servimos quando planejamos nossas aulas? No diálogo com aqueles que ousamos educar inseridos em tamanha diversidade de produtos culturais letrados: quais escolhemos produzir (de verdade!) com eles?

Referências:
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Esperança: Um reencontro com a Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.
ROJO, Roxane. Letramento[s] – práticas de letramento em diferentes contextos. In Letramentos múltiplos – escola e inclusão social. São Paulo: Parábola Editorial, 2009. (p.95-122)





[1] “‘Suleá-los’: Paulo Freire usou esse termo (...), chamando a atenção dos leitores (as) para a conotação ideológica dos termos nortear, norteá-la, nortear-se, orientação, orientar-se e outras derivações. Norte é Primeiro Mundo. Norte está em cima, na parte superior, assim Norte deixa "escorrer” o conhecimento que nós do hemisfério Sul "engolimos sem conferir com o contexto local" (cf. Márcio D'Olme Campos, "A Arte de Sulear-se”... 1991.). Quem primeiro alertou Freire sobre a ideologia implícita em tais vocábulos, marcando as diferenças de níveis de "civilização” e de "cultura”, bem ao gosto positivista, entre o hemisfério Norte e o Sul, entre o "criador" e o "imitador” foi o físico supracitado – Márcio Campos – atualmente dedicado à etnociência, à etnoastronomia e à educação ambiental” (Nota de Ana Maria Freire In FREIRE,1992, p.218). 

Em 27.06...


Curso Ler e Escrever _ Iniciante
Reposição da aula de 22/05/2012 – Parte 1.

Maria Fernanda Pereira Buciano

1-    Análise dos próprios eventos e práticas de letramento (Rojo, 2009, p. 53)
Durante todo um dia, anote todos os eventos de letramento de que você participa, isto é, todas as atividades que desempenha que, de alguma maneira, envolvam o uso da escrita na leitura ou na produção de textos. Use, para isso, a tabela abaixo. Veja o exemplo:
Evento de letramento
Esfera de atividade
Finalidade
Uso de leitura e/ou escrita
Retirar dinheiro no caixa eletrônico
Cotidiana
Abastecer-me de dinheiro para gastos cotidianos
Leitura / escrita
Ler jornal
Cotidiana
Ler manchetes de jornal na busca por algum assunto interessante para partilhar com alunos e alunas.

Ler cartaz de divulgação de evento
Cotidiana
Busca de novas informações a respeito do que circula na escola (assim como faço no mural do prédio...)
Leitura
Leitura de registros
Escolar
Resgatar trabalho registrado em livro, junto com meus alunos e alunas.
Leitura
Escrita de registro
Escolar
Registrar texto coletivo produzido com os alunos.
 Leitura e escrita
Leitura de Lenda
Escolar
Leitura da Lenda “A mula sem cabeça” para meus alunos e alunas.
Leitura
Comparar holerites e verificar possíveis erros
Trabalhista documental (?)
Busca pela compreensão de alguns códigos que mudaram no documento de uma amiga. Conhecer melhor documento de registro do meu pagamento pelo trabalho que realizo.
Leitura
Assinar livro-ponto
Trabalhista
Registrar meu comparecimento ao trabalho
Leitura e escrita
Usar número de telefone gravado com nome na memória do celular
Cotidiana
Encomendar marmita para o almoço
Leitura
Ler email
Cotidiana
Buscar tarefas a serem entregues no curso ler e escrever
Leitura
Escrever reflexões acerca do letramento e alfabetização
Escolar
Produzir material de reflexão a ser partilhado com colegas em curso de formação
Leitura e escrita




2-    ELABORE UMA RESENHA DE DUAS A TRÊS PÁGINAS pensando em algumas questões propostas no capítulo “Letramento(s)”: O que significa trabalhar a leitura e a escrita para o mundo contemporâneo? Como organizar, na escola, a abordagem de tal multiplicidade de práticas e textos? Que eventos de letramento e textos selecionar? De que esferas? De que mídias? De quais culturas? Como abordá-los? 

Encontro de 26.06

Leitura do Conto da Maria Angula*


Maria Angula era uma menina alegre e viva, filha de um fazendeiro de Cayambe. Era louca por 
uma fofoca e vivia fazendo intrigas com os amigos para jogá-los uns contra os outros. Por isso tinha fama de leva-e-traz, linguaruda, e era chamada de moleca fofoqueira.
Assim viveu Maria Angula até os dezesseis anos, decidida a armar confusão entre os vizinhos, sem ter tempo para aprender a cuidar e a preparar pratos saborosos.
Quando Maria Angula se casou, começaram os seus problemas. No primeiro dia, o marido pediu-lhe que fizesse uma sopa de pão com miúdos, mas ela não tinha a menor idéia de como prepará-la.
Queimando as mãos com uma mecha embebida em gordura, acendeu o carvão e levou ao fogo um caldeirão com água, sal e colorau, mas não conseguiu sair disso: não fazia idéia de como continuar Maria lembrou-se então de que na casa vizinha morava dona Mercedes, cozinheira de mão-cheia, e, sem pensar duas vezes, correu até lá.
— Minha cara vizinha, por acaso a senhora sabe fazer sopa de pão com miúdos?
— Claro, dona Maria. É assim: primeiro coloca-se o pão de molho em uma xícara de leite, depois despeja-se este pão no caldo e, antes que ferva, acrescentam-se os miúdos.
— Só isso?
— Só, vizinha.
— Ah — disse Maria Angula —, mas isso eu já sabia!
E voou para a sua cozinha a fim de não esquecer a receita.
No dia seguinte, como o marido lhe pediu que fizesse um ensopado de batatas com toicinho, a história se repetiu:
— Dona Mercedes, a senhora sabe como se faz o ensopado de batatas com toicinho?
E como da outra vez, tão logo a sua boa amiga lhe deu todas as explicações, Maria Angula exclamou:
— Ah! É só? Mas isso eu já sabia! — E correu imediatamente para casa a fim de prepará-lo.
Como isso acontecia todas as manhãs, dona Mercedes acabou se enfezando. Maria Angula vinha sempre com a mesma história: "Ah, é assim que se faz o arroz com carneiro? Mas isso eu já sabia! Ah, é assim que se prepara a dobradinha? Mas isso eu já sabia!". Por isso a mulher decidiu dar-lhe uma lição e, no dia seguinte…
— Dona Mercedinha!
— O que deseja, dona Maria?
— Nada, querida, só que meu marido quer comer no jantar um caldo de tripas e bucho e eu …
— Ah, mas isso é fácil demais! — disse dona Mercedes. E antes que Maria Angula a interrompesse, continuou:
— Veja: vá ao cemitério levando um facão bem afiado. Depois espere chegar o último defunto do dia e, sem que ninguém a veja, retire as tripas e o estômago dele. Ao chegar em casa, lave-os muito bem e cozinhe-os com água, sal e cebolas. Depois que ferver uns dez minutos, acrescente alguns grãos de amendoim e está pronto. É o prato mais saboroso que existe.
— Ah! — disse como sempre Maria Angula. — É só? Mas isso eu já sabia!
E, num piscar de olhos, estava ela no cemitério, esperando pela chegada do defunto mais fresquinho.
Quando já não havia mais ninguém por perto, dirigiu-se em silêncio à tumba escolhida.Tirou a terra que cobria o caixão, levantou a tampa e… Ali estava o pavoroso semblante do defunto! Teve ímpetos de fugir, mas o próprio medo a deteve ali.Tremendo dos pés à cabeça, pegou o facão e cravou-o uma, duas, três vezes na barriga do finado e, com desespero, arrancou-lhe as tripas e o estômago. Então voltou correndo para casa. Logo que conseguiu recuperar a calma, preparou a janta macabra que, sem saber, o marido comeu lambendo-se os beiços.
Nessa mesma noite, enquanto Maria Angula e o marido dormiam, escutaram-se uns gemidos nas redondezas. Ela acordou sobressaltada. O vento zumbia misteriosamente nas janelas, sacudindo-as, e de fora vinham uns ruídos muito estranhos, de meter medo a qualquer um. 
De súbito, Maria Angula começou a ouvir um rangido nas escadas. Eram os passos de alguém que subia em direção ao seu quarto, com um andar dificultoso e retumbante, e que se deteve diante da porta. Fez-se um minuto eterno de silêncio e logo depois Maria Angula viu o resplendor fosforescente de um fantasma. Um grito surdo e prolongado paralisou-a.
— Maria Angula, devolva as minhas tripas e o meu estômago, que você roubou da minha santa sepultura!
Maria Angula sentou-se na cama, horrorizada, e, com os olhos esbugalhados de tanto medo, viu a porta se abrir, empurrada lentamente por essa figura luminosa e descarnada.
A mulher perdeu a fala. Ali, diante dela, estava o defunto, que avançava mostrando-lhe o seu semblante rígido e o seu ventre esvaziado.
— Maria Angula, devolva as minhas tripas e o meu estômago, que você roubou da minha santa sepultura!
Aterrorizada, escondeu-se debaixo das cobertas para não vê-lo, mas imediatamente sentiu umas mãos frias e ossudas puxarem-na pelas pernas e arrastarem-na gritando:
— Maria Angula, devolva as minhas tripas e o meu estômago, que você roubou da minha santa sepultura!
Quando Manuel acordou, não encontrou mais a esposa e, muito embora tenha procurado por ela em toda parte, jamais soube do seu paradeiro.


*Extraído de: Contos de assombração, 4ª.ed. Co-edição Latino-Americana. São Paulo,Ática, 1988.“Maria Angula” é um conto da tradição oral equatoriana. Esta versão foi escrita por Jorge Renón de La Torre a partir de um relato que lhe fez Maria Gomez, uma mulher de 70 anos, que vive no povoado de Otán. Jorge Renón de La Torre nasceu em Quito, em 1945, e já publicou contos, fábulas e obras de teatro infantil.


Disponível da Coletânea de Textos do Programa PROFA em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/colet_m1.pdf>. Acesso em out. de 2012.


E deixo o conto aqui, na íntegra, pois a fama desse conto parece boa!
Aparentemente tem alto "ibope" entre as crianças!

Lemos um texto da profa Telma Weiz e assistimo a vídeo...






Algumas indicações de leitura do encontro de 19.06



Vídeos sobre a História da Escrita, produzidos pelo Mec, para o programa PROFA e Letra e Vida


    Psicogênese da língua escrita, que Emília Ferreiro escreveu com Ana Teberosky em 1979. As crianças chegam à escola sabendo várias coisas sobre a língua escrita será preciso avaliá-la para que o professor trace estratégias para o processo de alfabetização.

     “Situações didáticas que a rotina deve contemplar” IN: material Ler e escrever: Guia de Planejamento e Orientações Didáticas – Professor Alfabetizador – 2º ano – Volume I - p. 36 - 37- 38.


Capítulo 4 do Fascículo Língua Portuguesa : ensino fundamental / Coleção Explorando o Ensino ; v. 19

Letramento e leitura: formando leitores críticos...............................................85

Delaine Cafiero



Para uso com as crianças:

Para casa? ou Para sala? Disponível para download em diversos álbuns no picasa:

https://picasaweb.google.com/rosescapaescola/ParaCasaOuParaSalaSilabicoAlfabetico#

Batalha das Letras - Eva Furnari
História da escrita - Ruth Rocha