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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

13o. encontro - aula com a Elisabete Pimentel

Iniciamos o encontro com a leitura deleite feita pela Antônia:

Chapeuzinho Vermelho e o lobo: A mesma história, agora entretanto contada a partir da visão do lobo.
Autor: Celso Antunes

Iniciamos a conversa sobre Ortografia com Bete nos perguntando quais motivos imaginamos que sejam as causas dos erros ortográficos na escrita?

Lembramos...
  • da relação que estabelecemos entre fala e escrita
  • da variedade linguística
  • das irregularidades ortográficas

Discutimos a partir de exemplos de escritas de crianças com hipóteses alfabéticas, modos de intervenção, levantamos ideias de atividades, com quais regularidade colocá-las em prática...

Retomei o trecho que destaquei da leitura no último post com o grupo, partilhando uma dúvida que tenho quando planejo o trabalho nos reagrupamentos às terças, quando fico com crianças que recentemente consolidaram a hipótese alfabética de escrita: que escolhas devo fazer, entre tantas possibilidades e necessidades do trabalho com ortografia com as crianças?
Comentamos que antes de trabalharmos regras como uso de ss/ss, r/rr ..., as trocas e usos incorretos do C/QU, X/J, V/F...dígrafos precisam ser tratadas sistematicamente com as crianças.

Comentamos que na fase inicial da escrita, insistimos com as criança que escrevam como falam. Quando consolidam a hipótese alfabética, começamos a inverter o discurso: que escrita nem sempre é a expressão exata da fala. Escrevemos de um jeito diferente do que falamos.
Antônia nos ensina o modo como ensina suas crianças sobre a regra do uso do L e U. Quando conseguimos falar a palavra na variação "caipirês", em geral e na maioria das vezes usamos o L. Exemplo: saLgado (saRgado)

Analisamos juntas algumas propostas de trabalhos com dígrafos e encontros consonantais.

Assistimos ao video do Arthur Gomes de Morais, do Programa Ler e Escrever e realizamos dois exercícios de reflexão sobre a escrita e o erro ortográfico, já realizados por mim no curso do ano passado. Para ler os exercícios, ver post de 25 de setembro de 2012.

Manuseamos também os livros de uma mesma coleção que Bete nos trouxe para que discutíssemos propostas e classificássemos as regras ortográficas


O livro Construindo a Escrita - Gramática. Ortografia, foi escaneado e está disponível em um álbum. Clique e veja.

Sugestões levantadas par uso de texto no trabalho com ortografia: Releitura com focalização e ditado interativo.




segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Destaque da Leitura no texto sobre ensino de ortografia - PNAIC

Trecho do texto O Ensino da Ortografia no 3o. ano do 1o. Ciclo: o que devemos propor aos alunos no "último" ano de alfabetização?

As crianças devem ser levadas pelo docente a refletir sobre a norma ortográfica, contudo o ensino sistemático da ortografia não deve ser iniciado antes que os alunos compreendam o SEA e tenham dominado a maioria dos valores convencionais das letras. É importante que os aprendizes já sejam capazes de produzir e ler pequenos textos com alguma fluência, para que a ortografia venha a ser tomada como objeto de ensino e aprendizagem mais sistemáticos. Como já discutimos anteriormente, a norma ortográfica é dotada de regularidades e irregularidades, sendo assim, deve ser dado um tratamento diferenciado a tais correspondências fonográficas. É necessário que o professor leve os alunos a refletirem sobre as regras ortográficas, além de levá-los a compreender que outras questões ortográficas dependem de
memorização.
Sugerimos que apenas algumas das regularidades sejam exploradas mais sistematicamente ao longo do primeiro ciclo. Retomamos abaixo o trecho do quadro dos direitos de aprendizagem apresentado na íntegra na unidade 1, relacionado ao domínio ortográfico:


Compartilhando leitura sobre ortografia

Lendo o Fascículo da Unidade 3 do 3o. ano, Encontrei dicas de leituras sobre os assuntos tratados e busquei o que há on line, para fuçar um pouco.
Encontrei este livro:
ORTOGRAFIA NA SALA DE AULA
ORG.:Alexsandro da Silva, Artur Gomes de Morais, Kátia Leal Reis de Melo



Deixo aqui um trechinho interessante (da página 21 à 26), onde os autores listam regularidades e irregularidades ortográficas de nossa língua.

Consideremos, afinal, os diferentes tipos de regularidade e irregularidade
de nossa ortografia.
Regularidades diretas:
Nas palavras pote, fivela e bode, a notação dos sons /p/, /b/, /t,/d/, /f/ e /v/ não constitui problema para a maioria dos aprendizes.
Como apenas os grafemas P, B, T, D, F e V podem notar aqueles sons,não existe “competição” com outras letras ou dígrafos. Nesses casos de “regularidade direta”, a notação escrita funciona seguindo as restrições
do próprio sistema de escrita alfabética do português, sem que outros critérios sejam acrescentados.
Além das seis consoantes já citadas, incluímos também nesse grupo a notação dos sons /m/ e /n/ em início de sílaba. Isto é, para escrever o início de palavras como martelo e navio, também não dispomos de outros grafemas em nossa língua, além do M e do N. Em nossa experiência, vemos que, quando os aprendizes iniciantes se confundem com uma das duas letras, ao notar o início de sílabas em que são necessárias, trata-se muito mais de uma questão relativa ao “número de perninhas” que precisam pôr no papel.
Regularidades contextuais:
As regras que, desde os anos 1980, passamos a chamar de “contextuais” (CARRAHER, 1985; LEMLE, 1986) implicam levar em conta a posição da correspondência fonográfica na palavra, a fim de decidir
qual letra é a correta. Enfatizamos que não se trata de considerar o “contexto de significação”, mas, sim, de observar:
a) os grafemas que antecedem ou aparecem após a correspondência fonográfica em questão. Isso ocorre, por exemplo, quando aprendemos por que campo se escreve com M e canto se escreve com N;
b) a posição em que a correspondência fonográfica ocorre no conjunto da palavra (por exemplo, para escrever zebra ou qualquer outra palavra começada com o som /z/, temos que usar a letra Z);
c) a tonicidade da correspondência som-grafia no conjunto da palavra (por exemplo, saci e caqui se escrevem com I no final, por que então o som /i/ é “forte”, enquanto gente e pote se escrevem com E, por que seus sons /i/ finais são átonos).
No QUADRO 1, sintetizamos as principais regularidades de tipo contextual de nossa norma ortográfica.
QUADRO 1
Principais regularidades contextuais do português

  • Os empregos de C e QU em palavras como quero, quiabo e coisa.
  •  Os empregos de G e GU em palavras como guerra, guitarra e gato.
  • Os empregos de Z do início de palavras começadas com o som /z/, como zabumba, zebra, zinco, zorra e zumbido.
  • O emprego de S em sílabas de início de palavra em que essa letra segue os sons /a/, /o/ e /u/ ou suas formas nasais (como em sapo, santa, soco, sono, surra e suntuoso).
  • O emprego de J em sílabas em qualquer posição da palavra em que essa letra segue os sons /a/, /o/ e /u/ ou suas formas nasais (como em jaca, cajá, carijó, juízo e caju).
  • Os empregos de R e RR em palavras como rei, porta, carro, honra, prato e careca.
  • Os empregos de U notando o som /u/ em sílaba tônica em qualquer posição da palavra e de O notando o mesmo som em sílaba átona final (ex: úlcera, lua, bambu e bambo).
  • Os empregos de I notando o som /i/ em sílaba tônica em qualquer posição da palavra e de E notando o mesmo som em sílaba átona final (ex: fígado, bico, caqui e caque).
  • Os empregos de M e N nasalizando final de sílabas em palavras como canto e canto.
  • Os empregos de A, E, I, O e U em sílabas nasalizadas, que antecedem sílabas começadas por M e N (como em cana, remo, rima, como e duna)

  • Os empregos de ÃO, Ã e EM em substantivos e adjetivos terminando em /ãu/, /ã/ e /ey/ como feijão, folgazão, lã, sã, jovem e ontem.

Depois de ter compreendido como funciona o alfabeto e de ter aprendido a maioria dos valores sonoros que a as letras podem assumir em nossa escrita, os alunos recém-alfabetizados tendem a revelar muitas dúvidas sobre questões ortográficas que envolvem as regras contextuais listadas acima. Defendemos, então, o ensino sistemático de todas aquelas regras durante as séries iniciais, a fim de evitar um quadro que consideramos preocupante: parece-nos que, geralmente, a escola tem priorizado o ensino de pouquíssimas regularidades desse tipo, dedicando maior atenção apenas aos usos do M ou N em final de sílaba, ou aos empregos do R ou RR.
Regularidades morfossintáticas1:
Este último grupo de regras de nossa ortografia exige que os aprendizes analisem unidades maiores (morfemas) no interior das palavras, prestando atenção a características gramaticais das mesmas palavras. A partir da internalização dos princípios gerativos (regras) que estamos agora enfocando, podemos grafar com segurança, por exemplo, todos os adjetivos pátrios terminados com a seqüência sonora /eza/, mesmo aqueles que raramente vemos escritos (como balinesa e javanesa) ou os substantivos terminados com o mesmo som, mas derivados de adjetivos (como avareza e presteza). De modo semelhante, se percebemos que o verbo de determinada oração aparece numa flexão do passado e no plural, temos certeza de que se
escreverá com AM no final (por exemplo, na oração “Na semana passada os prefeitos forjicaram novos planos de atuação”).
A título de exemplo, registramos no QUADRO 2 algumas das principais regras morfossintáticas de nossa norma ortográfica.
QUADRO 2
Exemplos de regularidades morfossintáticas do português
FLEXÕES VERBAIS

  • O emprego de R nas formas verbais do infinitivo que tendemos a não pronunciar (cantar, comer e dormir).
  • O emprego de U nas flexões verbais do passado perfeito do indicativo (cantou, comeu e dormiu).
  • O emprego de ÃO nas flexões verbais do futuro do presente do indicativo (cantarão, comerão e dormirão).
  • O empregos de AM nas flexões verbais do passado ou do presente pronunciadas /ãw/ átono (sejam, cantam, cantavam, cantariam).
  • Noutros textos, usamos o termo “regras morfológicas” ou “morfológicogramaticais” para nos referirmos a esse mesmo tipo de regularidades.
  • O emprego de D nas flexões de gerúndio que, em muitas regiões, tende a não ser pronunciado (como em cantando, comendo e dormindo).
  • Os empregos de SS nas flexões no imperfeito do subjuntivo (cantasse, comesse, dormisse).
  • PALAVRAS FORMADAS POR DERIVAÇÃO LEXICAL
  • O emprego de L em coletivos terminados em /aw/ e adjetivos terminados em /aw/, /ew/, /iw/ (como milharal, colegial, possível, sutil).
  • O emprego de ÊS e ESA em adjetivos pátrios e relativos a títulos de nobreza (português, portuguesa, marquês, marquesa).
  • O emprego de EZ em substantivos derivados como rapidez e surdez.
  • O emprego de OSO em adjetivos como gostoso e carinhoso.
  • O emprego de ICE no final de substantivos como chatice e doidice.

Essas regularidades de tipo morfossintático envolvem, portanto, morfemas que aparecem na formação de palavras por derivação lexical (e aí as letras que são regradas se encontram, geralmente, no interior
de sufixos) e nas desinências de certas flexões verbais. Se os sufixos do primeiro grupo são muitos e podem ser aprendidos ao longo de todo o ensino fundamental, cremos que as regras envolvidas na notação de
algumas flexões verbais – como as que aparecem no quadro acima – precisam ser sistematicamente estudadas nas séries iniciais, já que ocorrem com muita freqüência nos textos produzidos pelos alunos.
Irregularidades Se vimos, até aqui, que a ortografia de nossa língua tem muitíssimos casos definidos por regras, que, uma vez compreendidas, nos permitem gerar com segurança a notação de correspondências fonográficas em palavras para nós desconhecidas, é preciso reconhecer que há também inúmeros casos de irregularidades. Como dito antes, essas correspondências som-grafia, que não podem ser explicadas por
regras, foram assim fixadas porque se levou em conta a etimologia das palavras (as letras com que eram notadas em suas línguas de origem) ou porque, ao longo da história, determinada “tradição de uso” se
tornou convencional. No QUADRO 3, a título de exemplo, listamos apenas algumas das mais freqüentes dificuldades ortográficas que envolvem irregularidades em nossa língua.
QUADRO 3
Principais irregularidades do português

  •  a notação do som /s/ com S, C, Z, SS, X, Ç, XC, SC, SÇ e S: por exemplo, em seguro, cidade, assistir, auxílio, açude, exceto, piscina,cresça, exsudar.
  •  a notação do som /z/ com Z, S e X (gozado, casa, exame).
  •  a notação do som /S/ com X, CH ou Z (xale, chalé, rapaz).
  •  a notação do som /g/ com J ou G (gelo, jiló).
  •  a notação do som /λ / com L ou LH em palavras como família e toalha.
  •  a notação do som /i/ com I ou E em posição átona não-final (cigarro,seguro).
  •  a notação do som /u/ com U ou O em posição átona não-final (buraco,bonito).
  •  o emprego do H em início de palavra (harpa, hoje, humano)

Como o leitor terá percebido, optamos por não incluir casos que remetem a variações na pronúncia de certas palavras, mesmo entre falantes letrados que adotam dialetos “cultos”. É o que ocorre na notação
dos ditongos de palavras como caixa e peixe, cujos sons /i/ nem sempre pronunciamos.
Julgamos, enfim, que uma coisa precisa ficar clara: é impossível não ter dúvidas sobre a ortografia de palavras raras, que pouco lemos e escrevemos, e que contêm correspondências letra-som de tipo irregular.
Assim, precisamos entender que o aprendiz iniciante inevitavelmente cometerá erros desse tipo ao escrever, ainda mais porque para ele muito do que estará escrevendo é “pura novidade”. Nós, adultos letrados, dispomos de um amplo léxico mental, um verdadeiro dicionário em nossa mente, no qual as palavras aparecem isoladas umas das outras, como verbetes escritos. Para quem está aprendendo a escrever, diferentemente, na hora de notar a seqüência sonora / kasamarela/, será preciso compreender que ali existem duas palavras e, provavelmente, gerar a grafia delas sem poder recorrer a algo já registrado no tal léxico mental.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

12o. encontro

Leitura deleite: Façanhas do Zé Burraldo
Diz o autor (Ricardo Azevedo) sobre este texto: Construí “Façanhas do Zé Burraldo” com base em vários episódios populares avulsos – o caso do poço, o roubo do burro, o burro que descomia dinheiro, a anedota do teatro e o caso do “adivinho” que culmina com o enterro do herói que pensa ter morrido –, que fui recolhendo aqui e ali mas que, por si só, não formavam um enredo com começo, meio e fim.
Texto faz parte do livro:

Histórias de bobos, bocós, burraldos e paspalhões

Combinamos que nos dias 18/9 e 25/9 apresentaremos nossos portfolios.

Analisamos tabelas com hipóteses de escrita de 1o a 3o anos compartilhada pelas colegas.
Alguns questionamentos apareceram sobre os objetivos que colocamos para cada ano, em relação às hipóteses de escrita e produções de texto.
Discutimos o risco que corremos quando focamos unicamente na hipótese de escrita no trabalho inicial.
Como damos conta da escrita de textos desde o primeiro ano e trabalhamos com leitura.
Terezinha disse que faz leitura individual todos os dias, usando a Coleção Mico Maneco.
Cris diz do uso do Texto Livre - uma das técnicas de Freinet- e da publicação dos textos feitos pelas crianças.

Lembro de um site que gosto, abro a caixa de email e escrevo para o grupo:


Meninas, A Cris mencionou o Freinet e a publicação e circulação dos textos produzidos pelas crianças. Lembrei em partilho com vcs um site que gosto muito.
Trata-se do site de uma ONG pernambucana que orienta e publica jornais escolares, fundamentada por Freinet.
Vejam só: http://www.jornalescolar.org.br/o-jornal-escolar/
Eles disponibilizam modelos de jornais para facilitar a diagramação (que é o mais chatinho de fazer)
Bom proveito!
Mafê
...

Discutimos os usos da escrita na escola. para quê as crianças escrevem? Para quem?
Outras professoras partilharam experiências de escrita de cartas, produções de livros...

Iniciamos o debate, incluindo a leitura do material do PNAIC.
Juliana apresenta uma perspectiva histórica das compreensões teóricas sobre os processos de alfabetização nas décadas de 1970, 1980, 1990 e atual.

Atualmente há discussões sobre o "alfabetizar letrando". E o que é isso?
Para mim, esta discussão retoma debates trazidos por Paulo Freire e seus parceiros de trabalho já na década de 1960: os processos de apropriação da língua escrita não devem estar descolados dos usos sociais da mesma. Fazendo isso, não devemos (e essa nunca foi da defesa de Freire) menosprezar a sistematização do trabalho com o sistema de escrita (na época de FREIRE, chamaríamos este trabalho de exercício reflexivo de "codificação e decodificação" da língua)

Escrita CÓDIGO ou SISTEMA NOTACIONAL?

Propriedades do SEA que o aprendiz precisa reconstruir para se tornar alfabetizado (fonte: MORAIS, 2012).
1. Escreve-se com letras, que não podem ser inventadas, que têm um repertório finito e que são diferentes de números e de outros símbolos.
2. As letras têm formatos fixos e pequenas variações produzem mudanças na identidade das mesmas (p, q, b, d), embora uma letra assuma formatos variados (P, p, P, p).
3. A ordem das letras no interior da palavra não pode ser mudada.
4. Uma letra pode se repetir no interior de uma palavra e em diferentes palavras, ao mesmo tempo em que distintas palavras compartilham as mesmas letras.
5. Nem todas as letras podem ocupar certas posições no interior das palavras e nem todas as letras podem vir juntas de quaisquer outras.
6. As letras notam ou substituem a pauta sonora das palavras que pronunciamos e nunca levam em conta as características físicas ou funcionais dos referentes que substituem.
7. As letras notam segmentos sonoros menores que as sílabas orais que pronunciamos.
8. As letras têm valores sonoros fixos, apesar de muitas terem mais de um valor sonoro e certos sons poderem ser notados com mais de uma letra.
9. Além de letras, na escrita de palavras, usam-se, também, algumas marcas (acentos) que podem modificar a tonicidade ou o som das letras ou sílabas onde aparecem.
10. As sílabas podem variar quanto às combinações entre consoantes e vogais (CV, CCV, CVV, CVC, V, VC, VCC, CCVCC...), mas a estrutura predominante no português é a sílaba CV (consoante – vogal), e todas as sílabas do português contêm, ao menos, uma vogal.

O que são sistemas notacionais?
Assim como a numeração decimal e a moderna notação musical (com pentagrama, claves de sol, fá e ré), a escrita alfabética é um sistema notacional. Nestes sistemas, temos não só um conjunto de “caracteres” ou símbolos (números, notas musicais, letras), mas, para cada sistema, há um conjunto de “regras” ou propriedades, que definem rigidamente como aqueles símbolos funcionam para poder substituir os elementos da realidade que notam ou registram.
Textos disponíveis em <http://www.cead.ufop.br/PNAIC/4%20PNAIC%20CEAD%20UFOP%20Unidade%203%20ano%201.pdf> Acesso em 21.08.2013


Para acessar slides da aula sobre SEA, produzido pela OE Juliana, clique AQUI

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Agrupando saberes...

Tarefas para o próximo encontro dia 21/08/2013:

1- Leitura da Unidade 3- Texto Aprofundando (cada uma lê de seu respectivo ano).
2-Tabela com saberes de Língua Portuguesa- 1o. trimestre

DESCRITORES DE SABERES LINGUAGEM ORAL E ESCRITA
QUANTIDADE DE CRIANÇAS NO AGRUPAMENTO
EXCEÇÕES
GRUPO1
8

- APRESENTA HIPÓTESE DE ESCRITA ORTOGRÁFICA, COM POUCO DOMÍNIO DAS IRREGULARIDADES DA ORTOGRAFIA.
- PRODUZ TEXTOS A PARTIR DE LEITURA DE IMAGENS, COM COERÊNCIA E ADEQUAÇÃO À PROPOSTA.
 - PRODUZ TEXTOS A PARTIR DA LEITURA/ ESTUDOS DE INFORMAÇÕES
 - REALIZA SEGMENTAÇÃO ADEQUADA DE PALAVRAS NO TEXTO
 - UTILIZA PARCIALMENTE ALGUNS ELEMENTOS DE ESTRUTURAÇÃO DE TEXTO COMO PARÁGRAFO, LETRA MAIÚSCULA E PONTUAÇÃO.
 - FAZ USO DE CARACTERÍSTICAS DOS GÊNEROS TEXTUAIS TRABALHADOS NA ESCRITA.
 - APRESENTA LEITURA FLUENTE DE TEXTOS DOS GÊNEROS TRABALHADOS, EM LETRA DE IMPRENSA.
 - RELACIONA E COMPREENDE A LETRA DE IMPRENSA COM A LETRA CURSIVA.
- COMPREENDE E INTERPRETA TEXTOS ORALMENTE E POR ESCRITO.
 - COMUNICA-SE ATRAVÉS DA FALA COM CLAREZA.
GRUPO 2
10

 UMA APRESENTA HIPÓTESE DE ESCRITA ORTOGRÁFICA
- APRESENTA HIPÓTESE DE ESCRITA ALFABÉTICA.
- APRESENTA ERROS NA ESCRITA DE PALAVRAS COM ENCONTROS CONSONANTAIS, DÍGRAFOS E EM DIFERENTES TEMPOS VERBAIS.
- PRODUZ TEXTOS A PARTIR DE LEITURA DE IMAGENS.
 - REALIZA SEGMENTAÇÃO ADEQUADA DE PALAVRAS NO TEXTO
 - UTILIZA PARCIALMENTE ALGUNS ELEMENTOS DE ESTRUTURAÇÃO DE TEXTO COMO PARÁGRAFO, LETRA MAIÚSCULA E PONTUAÇÃO.
 - APRESENTA LEITURA COM POUCA FLUÊNCIA.
 -COMPREENDE  A RELAÇÃO ENTRE LETRA DE IMPRENSA COM A LETRA CURSIVA.
- COMPREENDE PEQUENOS TEXTOS TRABALHADOS ORALMENTE E POR ESCRITO.
 - COMUNICA-SE ATRAVÉS DA FALA COM CLAREZA.
GRUPO 3
3
3 APRESENTA HIPÓTESE DE ESCRITA ALFABÉTICA.
- APRESENTA HIPÓTESE DE ESCRITA SILÁBICA - ALFABÉTICA.
-AGLUTINA OU NÃO PALAVRAS AO ESCREVER FRASES OU PEQUENOS TEXTOS.
- PRODUZ TEXTOS A PARTIR DE LEITURA DE IMAGENS, COM DIFÍCIL COMPREENSÃO OU COM MEDIAÇÃO DO PROFESSOR.
 - EM ALGUNS MOMENTOS, UTILIZA PARCIALMENTE ELEMENTOS DE ESTRUTURAÇÃO DE TEXTO COMO PARÁGRAFO, LETRA MAIÚSCULA E PONTUAÇÃO.
 - APRESENTA LEITURA SILÁBICA DE TEXTO DE IMPRENSA COM POUCA OU COM NENHUMA COMPREENSÃO DO TEXTO LIDO.
 - RESPONDE ORALMENTE QUESTÕES DIRETAS DO TEXTO, QUANDO ESTAS SÃO LIDAS POR OUTREM.

GRUPO 4
0

 - APRESENTA ESCRITA SILÁBICA OU PRÉ- SILÁBICA.
 - PRODUZ TEXTO ORALMENTE OU COM AUXÍLIO DE UM “ESCRIBA”.
- NOMEIA E IDENTIFICA ALGUMAS LETRAS DO ALFABETO,
 - DECODIFICA POUCAS SÍLABAS. IDENTIFICA PALAVRAS USANDO ESTRATÉGIAS COMO INFERÊNCIA A PARTIR DA PRIMEIRA LETRA.
 - PRODUZ ESCRITA INCOMPREENSIVA AO LEITOR OU DEIXA A ATIVIDADE EM BRANCO
- UTILIZA LETRA DE IMPRENSA MAIÚSCULA (BASTÃO).
GRUPO 5
1

DESCRIÇÃO INDIVIDUAL: NÃO RECONHECEMOS A HIPÓTESE DE ESCRITA DO ALUNO DEVIDO À DIFICULDADE DE COMUNICAÇÃO ENTRE ESTE E PROFESSORAS. FAZ USO DE LETRAS NA TENTATIVA DE RELACIONAR DIFERENTES FORMAS E TEXTURAS DE LETRAS ÀS APRESENTADAS NO PAPEL, NA ESCRITA DE SEU NOME.
APREENDE O MOVIMENTO DE PINÇA E O EQUILÍBRIO DE FORÇA NECESSÁRIO PARA O USO DE INSTRUMENTOS DE REGISTRO/EXPRESSÃO NO PAPEL, COMO GIZ DE CERA, COLA COLORIDA EM TUBOS E PINCEL COM GUACHE.


quarta-feira, 14 de agosto de 2013

11o. Encontro

Leitura deleite: 
Pai contra mãe. - Machado de Assis


"Pai Contra Mãe" é um conto escrito por Machado de Assis e publicado no livro Relíquias da Casa Velha (1906). Escrito cerca de dez anos após o fim da escravidão no Brasil, é o único conto do livro que trata explicitamente do tema.1 Os críticos o colocam na segunda fase (ou fase madura) do autor, em que há tendências realistas. (Retirado de Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Pai_contra_M%C3%A3e> Acesso em 14 de agosto de 2013.)
 Para ler o texto na íntegra:
 http://stat.correioweb.com.br/arquivos/educacao/arquivos/MachadodeAssis-PaiContraMe0.pdf

Para agrupar crianças e criar níveis de saberes usamos como referência as hipóteses de escrita?

Olhando as sondagens.... 
Discutimos, eu, Gilda e Fabiana critérios de avaliação que podemos considerar para aprovação ou não no fim do ano. Olhando a escrita das crianças e pensando em possíveis avanços, fomos elencando alguns motivos que levam certas crianças a apresentarem algumas dificuldades e avanços.

Nos preocupa a escrita de textos e a discrepância nas produções que temos de um grupo pequeno em comparação com o grande grupo. A escrita de palavras NO TEXTO ainda é difícil para pequenos grupos existentes em cada turma e dificulta o desenvolvimento de elementos textuais...

Nos comprometemos em trazer para o próximo encontro, materiais usados nos agrupamentos que realizamos uma vez por semana juntando crianças de todos os terceiros anos.




Reflexão sobre Unidade 2

a- Destaque:

- Algo que já fazia parte de meu Planejamento e de minha Rotina e continuará fazendo.
- Algo que é novidade.
- Algo que considero importante e incorporarei ao meu Planejamento e Rotina.

      b- A partir desta reflexão como posso repensar e refazer minha Rotina.

Para mim, o grande desafio do planejamento é a conciliação entre os planos anuais, trimestrais (planejados coletivamente entre docentes) e os semanais (estes mais em diálogo com as crianças).

Há também a partilha de planos a médio prazo com as crianças, sempre muito marcada pelo pelos ajustes realizados no plano anual junto às professoras responsáveis pelo mesmo ano do ciclo.

Este ir e vir nos objetivos estipulados para o trabalho, nas demandas apresentadas pelas crianças, em ideias e comportamento-  e nos registros do trabalho, por vezes deixa algum elemento importante do planejamento de lado, ou em segundo plano.

Estabelecer uma rotina que se sustente por muito tempo, para mim é muito difícil por conta da tentativa que faço em conciliar tantas variáveis, sem querer estreitar os sentidos do trabalho construído junto às crianças.


Tenho melhorado bastante neste sentido. Muito por ter neste ano um aluno autista, para quem a rotina é extremamente importante.

Pensei em tomar quatro eixos direcionadores colocados da maneira como a apresentada na síntese produzida pela OE. Juliana, grudados no caderno de planejamento para não correr o risco de perder nenhum destes elementos no momento de planejar as atividades e a rotina semanal.

  • leitura
  •  produção de texto escrito
  •  oralidade e
  •  análise linguística -incluindo a apropriação do Sistema de Escrita Alfabética - SEA.   

Minha rotina tem momentos de agrupamento livre das crianças, motivado pelo interesse que tem em alguma atividade proposta, ou na companhia de algum colega. Estes agrupamentos são feitos em rodízio. Quando consigo fazê-los nos 4 dias da semana  proponho quatro grupos. Desde junho, penso em reorganizar estes momentos para trabalho estrito com o SEA propondo exercícios de reflexão sobre ortografia, principalmente. O que eu vinha fazendo era tomar alguns exercícios voltados para objetivos de diferentes disciplinas e oferecê-los nos grupos. Um deles sempre tinha algum objetivo de reflexão sobre a língua. Hoje penso que três devem ter este tipo de exercício e o outro, fica para o diálogo com meu aluno autista fazendo o mesmo uso de materiais que ele. Com este aluno, o objetivo é sempre colocar as crianças em interação com ele.

Conversando com a Gilda hoje e relendo a síntese da unidade 2, penso em colocar a escrita de texto coletivo com maior frequência em meu planejamento. Agora penso em fazer isso semanalmente. 




Síntese da Unidade 2

Pacto Nacional pela
Alfabetização na Idade Certa

Turma 5: 4ª feira- 8h às 11h20
Local: CEFORTEPE
Orientadora de Estudos: Juliana M. A. Vieira


Unidade 2 - Planejamento e Rotina

Ano 1- Planejamento Escolar: Alfabetização e Ensino Da Língua Portuguesa

Por que planejar o ensino?

Precisamos planejar para fazermos escolhas coerentes, organizar nossas rotinas, ter nossos objetivos delimitados, saber aonde queremos chegar e o que precisamos ensinar aos nossos alunos. Para tanto, é necessário termos uma visão do processo mais amplo de aprendizado que será desenvolvido durante todo o ano letivo, mas também do processo micro, revelado por meio de um planejamento mais pontual, marcado por intervalos de tempo.

Para planejar o processo de alfabetização e ensino/aprendizagem da Língua Portuguesa tomamos quatro eixos direcionadores: leitura, produção de texto escrito, oralidade e análise linguística, incluindo a apropriação do Sistema de Escrita Alfabética - SEA.

A leitura
A leitura envolve a aprendizagem de diferentes habilidades, tais como:
(i) o domínio da mecânica que implica na transformação dos signos escritos em informações,
(ii) a compreensão das informações explícitas e implícitas do texto lido e
(iii) a construção de sentidos. As referidas habilidades inter-relacionam-se e não podem ser pensadas hierarquicamente.
Quanto maior for a experiência de ouvir e ler textos, mais elaborada será a produção de sentidos por parte do leitor. No processo inicial de apropriação do Sistema de Escrita Alfabética, cabe ao professor ser o mediador da turma, auxiliando os alunos na elaboração de objetivos e expectativas de leitura, na criação de hipóteses antes e durante o ato de ler, correlacionando os conhecimentos prévios dos aprendizes com aqueles que se pode reconhecer no texto, sejam explícitos ou implícitos.
Em nosso dia a dia, utilizamos a leitura com diferentes objetivos (lemos para obter informações sobre um assunto específico, para localizarmos uma rua, para seguirmos prescrições médicas, para nos distrairmos), os quais direcionam nossas atitudes diante do texto. São essas estratégias, práticas sociais que vivenciamos em nossas ações de leitores competentes, que devem ser tomadas como base para o ensino e o trabalho na sala de aula com a leitura, diminuindo cada vez mais as atividades artificiais e proporcionando, com mais intensidade, atividades próximas às práticas sociais de letramento.

A produção de textos
Entendemos que o texto a ser escrito pelas crianças pode ser longo ou curto, conhecido ou não. A letra de uma cantiga, uma quadrinha, um poema, um provérbio, um dito popular, uma história, um bilhete, um cartaz, um aviso são alguns exemplos de textos a serem escritos em sala de aula. A escolha do que a criança irá escrever irá depender da situação comunicativa proposta pelo professor.
Partindo desta concepção, defendemos a ideia de que a criança pode e deve escrever espontaneamente desde as primeiras semanas de aula. É necessário, entretanto, que o docente compreenda que copiar não é sinônimo de escrever, embora seja uma habilidade necessária a ser desenvolvida durante a alfabetização.
O papel do professor de revisor do texto para que possa ser exibido em mural é importante porque, interagindo neste tipo de situação, a criança pode aprender que existe uma convenção social que dita as regras da escrita, as quais serão aprendidas no decorrer dos anos.
A produção de textos, na escola, pode se dar de diferentes formas: coletivamente, por meio de um escriba que geralmente é o professor; em dupla; ou individualmente. Quando o professor atua como escriba, ensina às crianças as diferenças entre linguagem oral e escrita, a organização das ideias, a importância de sempre revisar o que foi produzido, a desenvolverem suas próprias estratégias de registro e a se assumirem como autores. O trabalho em dupla é um recurso metodológico interessante porque permite às crianças interagirem, trocarem informações e resolverem conflitos, o que favorece a participação mais efetiva. Ao produzirem o texto, as crianças confrontam suas hipóteses, negociam a escrita e auxiliam umas às outras em suas reflexões, tanto a respeito do sistema de escrita, quanto à organização do texto.
Tal tipo de atividade é, sem dúvida, muito importante, no entanto, para que as crianças aprendam a escrever textos é preciso variar as situações de produção quanto às dimensões da escrita a serem contempladas:
(i) registro de um texto que se sabe de cor;
(ii) a reescrita de textos, em que as crianças sabem o conteúdo do texto, mas precisam recuperá-lo e escrever de outro modo, pensando em “como dizer”;
(iii) escrita autoral de textos, em que os estudantes precisam definir o que vão dizer e como vão dizer.

A oralidade
Ser competente em diferentes situações discursivas orais engloba, em primeira instância, saber adequar sua linguagem ao contexto ou ao evento em que estamos inseridos. Demanda, também, saber as regras de convivência e de comportamento segundo as quais os espaços sociais estão organizados e, ainda, saber monitorar a fala e a escuta em situações formais.
O trabalho com a linguagem oral também deve ser planejado e organizado assim como os demais eixos do ensino e aprendizagem do Ciclo de Alfabetização
(e outros, ao longo da escolaridade). O professor precisa levar em conta os usos que fazemos da oralidade na sociedade, promovendo atividades sistemáticas que envolvam os gêneros orais como, por exemplo, apresentação de trabalhos, participação em entrevistas, contação de histórias.
O alargamento das práticas de oralidade significa o direito de apreensão de um instrumento necessário não só para a vida escolar, mas também para a vida em sociedade. Esta é uma formação que visa o exercício da cidadania.

A análise linguística - apropriação do Sistema de Escrita Alfabética
A apropriação do sistema de escrita está diretamente relacionada com a capacidade de se pensar sobre a língua. O processo de análise linguística nos anos iniciais precisa estar voltado para as reflexões acerca da língua e de seu funcionamento e é necessário que seja desenvolvido concomitantemente com a apropriação dos usos e funções sociais dos gêneros textuais, da leitura, da produção de textos e da linguagem oral.
Os conhecimentos envolvidos no eixo de apropriação do Sistema de Escrita Alfabética vão desde a capacidade da criança de reproduzir seu nome próprio, mesmo antes de poder escrever outras palavras, diferenciar os tipos de letras e outros recursos gráficos, até aspectos relativos ao domínio das correspondências entre letras ou grupos de letras e fonemas. Assim, a criança precisa conhecer todas as letras do alfabeto, seus respectivos nomes e diferentes formas de grafá-las; perceber as relações que existem entre som-letra, por meio do desenvolvimento da consciência fonológica. E, por fim, precisa aprender sobre a ortografia.
Na prática, a apropriação do sistema alfabético pode se dar por meio de jogos, atividades lúdicas, atividades de composição e decomposição de palavras, favorecendo a reflexão acerca de segmentos linguísticos menores, como as sílabas e os fonemas.

Todo o trabalho com a alfabetização na perspectiva do letramento está pautado na busca da realização de atividades que levem em consideração os usos sociais da língua escrita, não somente os escolares, mas também os relativos a outras esferas sociais. Como bem destaca Kleiman (2005, p.33):
As práticas de letramento fora da escola têm objetivos sociais relevantes para os participantes da situação. As práticas de letramento escolares visam ao desenvolvimento de habilidades e competências no aluno e isso pode, ou não, ser relevante para o estudante. Essa diferença afeta a relação com a língua escrita e é uma das razões pelas quais a língua escrita é uma das barreiras mais difíceis de serem transpostas por pessoas que vêm de comunidades em que a escrita é pouco ou nada usada.

Importância da organização de planos anuais
Como planejar o que vou ensinar durante um ano inteiro se nem conheço minha turma ainda? Por que elaborar um plano anual se todo dia eu faço um roteiro para as minhas aulas? Questões como essas podem vir à mente quando pensamos na organização do plano anual. Fazer uma avaliação diagnóstica no início do ano é fundamental.
Conhecer a turma com a qual vamos trabalhar é essencial para delimitarmos nossos objetivos, e termos um ponto de partida (leia-se um plano anual) que sirva de referência para nosso trabalho é imprescindível.
Ao organizarmos planos anuais, visualizamos aspectos mais amplos do trabalho de alfabetização e letramento e tomamos decisões gerais concernentes ao processo ensino/aprendizagem como, por exemplo, decidir os critérios a serem usados para escolher textos a serem utilizados; selecionar quais gêneros textuais usar e com que frequência; definir quando nossos alunos vão começar a produzir textos – se antes de saberem escrever convencionalmente ou só depois de terem memorizado um conjunto de palavras; decidir que tipo de atividade será utilizada para desenvolver a linguagem oral; eleger qual unidade linguística será o ponto de partida para ensinarmos o sistema de escrita e com base em qual contexto.
Como podemos ver, o plano anual, além de organizar os conhecimentos a serem desenvolvidos durante um ano letivo, revela nossas escolhas com relação ao que vamos ensinar aos nossos alunos, antes mesmo de conhecê-los. Destaque-se, entretanto, que além de se ter como foco os direitos de aprendizagem e as experiências acumuladas, a ênfase a ser dada a cada tipo de atividade será dirigida pelo resultado da avaliação diagnóstica e pelo que foi decidido (pela escola, pela Secretaria de Educação, e pela professora) sobre o que será ensinado naquele ano, tanto em relação aos eixos de ensino do componente curricular Língua Portuguesa, quanto no que se refere às outras áreas de conhecimento.

Ano 2- A Organização do Planejamento e da Rotina no Ciclo De Alfabetização na Perspectiva do Letramento

Por meio do planejamento o professor pode organizar, didática e pedagogicamente, o trabalho a ser desenvolvido e o tempo a ser destinado para cada ação.
Segundo Libâneo (1994), o planejamento é um processo de racionalização, organização e coordenação da ação docente, articulando a atividade escolar e a problemática do contexto social. Esses planos de ação podem se configurar como educacional, escolar, curricular e de ensino.
Para cada um deles existem conteúdos procedimentais, atitudinais e conceituais, bem como ações e estratégias específicas para a sua efetivação. Cabe a cada escola elaborar um plano escolar sobre a organização, o funcionamento e a proposta pedagógica da instituição. Nesse contexto, a proposta curricular deve orientar quanto às experiências de aprendizagem a serem oferecidas à criança na escola. Com base nos planos elencados, o coletivo de professores deve elaborar um planejamento de ensino para o ciclo de alfabetização que vise à definição das ações concretas para as situações do trabalho pedagógico, com o objetivo de possibilitar a apropriação e a consolidação da alfabetização.
A rotina escolar, nessa dimensão, passa a ser um momento de escolhas e decisões didáticas e pedagógicas baseadas na reflexão sobre como agir e sobre as suas possibilidades. Para planejar é importante ter consciência dos direitos de aprendizagem no ciclo de alfabetização, estabelecendo uma progressão no ensino que proporciona a progressão nas aprendizagens a cada ano.
Ou seja, é necessário organizar nossa ação em relação a: Quais nossas prioridades no ensino a cada ano? O que as crianças já sabem? O que esperamos que os alunos aprendam?
Como planejamos os eixos do ensino do componente curricular Língua Portuguesa e como os distribuímos ao longo da semana? Em quais critérios nos baseamos para fazer a escolha da frequência de cada um deles? Como buscamos explorá-los?
Em relação à presença dos eixos do componente curricular Língua Portuguesa, nas dezenove obras aprovadas no PNLD 2010, a análise das coleções evidenciou alguns avanços e limites em relação a cada eixo de ensino:
• Leitura: crescente exploração da diversidade textual (circulação, gênero, tamanho, autores), presença de textos curtos, exploração das estratégias de leitura, do vocabulário e do contexto de produção;
• Produção de textos: exploração do contexto de produção, destinatários e objetivos específicos de cada gênero a ser trabalhado e pouca ênfase em atividades de planejamento e revisão dos textos;
• Oralidade: menor avanço quanto à exploração do gênero e suas características, presença de atividades que exploram cantorias e conversas;
• Análise linguística: crescente exploração de várias habilidades que possibilitam o domínio efetivo da escrita alfabética.
A rotina de sala de aula deve contemplar os vários eixos como objetos de ensino, pois é primordial diversificar as atividades para melhor atender aos alunos em todos os anos do ciclo de alfabetização. Sendo assim, discutiremos alguns objetivos e estratégias que podem orientar o planejamento nos eixos da análise linguística, leitura, produção de textos escritos e oralidade.
No eixo da análise linguística, é preciso considerar as atividades voltadas para o que queremos ensinar sobre o Sistema de Escrita Alfabética (como se organiza esse sistema), considerando quais conhecimentos foram construídos pelos estudantes e como eles se apropriam desses conhecimentos.
Ao atingir a hipótese alfabética é preciso que a criança reflita sobre a norma ortográfica, compreendendo as regularidades e memorizando as irregularidades ortográficas, a fim de escrever convencionalmente as palavras (MORAIS, 1999). Para isso, deve-se planejar as atividades de reflexão sobre as dificuldades ortográficas despertando-as para o princípio gerativo subjacente à escrita das palavras, ou seja, para o princípio de que quando conhecemos uma regra podemos aplicá-la a todas as palavras cuja escrita dependa dessa regra. Por exemplo, a regra de que o som /k/ antes de A, O e U pode ser representado por C ou K e antes de E e I, por QU ou K, quando aprendida, pode ser aplicada em muitas palavras.
A preocupação do professor não deve ser com a memorização das regras, mas com a compreensão.
O eixo da leitura tem, dentre outras, a finalidade de proporcionar às crianças a capacidade de ler para: aprender a fazer algo, aprender assuntos do seu interesse, informar-se sobre algum tema e ter prazer na leitura. Para o planejamento dessas atividades concebemos a leitura como uma relação dialética entre interlocutores, que pressupõe a interação entre texto e leitor e não um simples ato mecânico de decifração de signos gráficos. O ensino da compreensão de texto é, portanto, um processo em espiral no qual o leitor realiza um trabalho ativo de construção do sentido do texto pela ativação de diferentes esquemas. No segundo ano, espera-se que a criança já possua domínio da apropriação do sistema de escrita e alguma fluência mínima de leitura para que desenvolva autonomia na compreensão dos textos. após a atividade de leitura, ocorram conversas sobre o texto lido. As autoras propõem que sejam explorados alguns tipos de perguntas durante esta atividade:

Perguntas antes da leitura
Antecipar sentidos do texto;
Ativar conhecimentos prévios;
Estabelecer finalidades para a leitura
Perguntas durante e/ou depois da leitura
Localizar informação explícita de um texto;
Elaborar inferências;
Estabelecer relações lógicas entre partes do texto;
Identificar tema ou apreender o sentido geral do texto;
Interpretar frases e expressões;
Distinguir ponto de vista do “autor” de opiniões do leitor;
Estabelecer relações de intertextualidade;
Explorar vocabulário e recursos coesivos;
Explorar características do gênero textual;
Explorar recursos estéticos e expressivos do texto;
Explorar imagens como elemento constitutivo das possibilidades de sentido;
Explorar dialetos e registros;
Identificar ideia central a partir do texto;
Emitir opinião sobre o texto;
Responder aos textos (extrapolação).
Levantar e confirmar hipóteses (previsões sobre o texto).
Nessas situações de leitura é importante considerar o papel do professor como um modelo de ações, atitudes e expressões Qual é meu objetivo ao escolher este texto para esta turma?
• O que espero de meus alunos com a leitura deste texto?
• Qual seria um bom texto para desenvolver determinada habilidade de leitura que meus alunos ainda não dominam bem?
• Qual é o lugar deste texto no conjunto dos textos a serem lidos ao longo do bimestre, do semestre ou do ano?
• Qual a relação deste texto com o projeto pedagógico da escola, ou com meu próprio projeto para esta turma?
• Minhas escolhas levam em consideração os interesses de meus alunos?
• Quais foram as dificuldades encontradas por meus alunos para a compreensão do texto lido?
• Se eu planejei alguma atividade para desenvolver a partir do texto lido, essa atividade contribuiu para a melhor compreensão do texto?
Quanto ao eixo da produção de textos, consideramos que, ao entrarmos no mundo da escrita, operamos com a língua de modo diferente, fazendo-a objeto de atenção e manipulação. Portanto, quando o acesso à escrita é autônomo possibilita uma maior consciência acerca das unidades linguísticas e uma maior reflexão sobre as formas textuais, autorizando o aluno a decidir sobre as maneiras de organizar o conteúdo textual. Nesse sentido, a apropriação do Sistema de Escrita Alfabética possibilita maior autonomia na reflexão sobre a organização textual e sobre o próprio conteúdo.
Leal e Albuquerque (2005) apontam alguns tipos de situações de uso da escrita na alfabetização:
Em relação ao planejamento das atividades voltadas para o eixo da produção de textos, é importante que estas busquem contemplar as reflexões acerca do contexto de produção. O contexto de produção, tal como propõem vários autores, determina não apenas o que dizemos sobre o “mundo”, mas também a forma que escolhemos para “dizer”. É necessário na escrita de um texto que se tenha não somente “o que escrever”, mas também “para que” e “para quem” escrever; ou seja, quem escreve um texto elabora representações sobre a situação de interação, sobre os interlocutores e sobre as representações do interlocutor.
Por fim, em relação ao eixo da oralidade, não é certo afirmar que a fala é informal e a escrita formal. Ambas têm graus de formalidade variáveis de acordo com as situações comunicativas, pois os usos da língua são situados, sociais e históricos, e possuem certo grau de implícito e envolvimento.
Portanto, a fala e a escrita são atividades discursivas e essa relação entre fala e escrita se dá em forma de um contínuo, sendo as duas ações planejadas.
Reiteramos, portanto, que todas as formas de organização do trabalho de sala de aula favorecem múltiplas aprendizagens desde que tenham sido elaborados planos de ação.
Nesse sentido, é importante adotarmos quadros de rotinas considerando os objetivos didáticos, os diversos tipos de organização do trabalho, as características do grupo e as formas de interação. No próximo texto, estaremos aprofundando as discussões sobre possibilidades de organização da rotina em turmas de alfabetização.

Ano 3- Planejamento e Organização da Rotina na Alfabetização

 “O currículo é construído na prática diária de professores e, portanto, nem sempre reflete exatamente o que os documentos oficiais orientam, mas também não pode ser entendido como decisão de cada um”. Isto é:
Do ponto de vista de sua realização, o currículo escolar pode assumir a forma do concebido e do vivido. No âmbito do currículo concebido, temos o currículo formal. [...] No âmbito do currículo vivido é que efetivamente se manifesta, ou não, a concretização do concebido. O currículo praticado envolve as relações entre poder, cultura e escolarização, representando, mesmo que de forma nem sempre explícita, o jogo de interações e/ou as relações presentes no cotidiano escolar (CARVALHO, 2008, p. 96-97).

A prática docente, na realidade, resulta das concepções acerca do que se deve ensinar, que se baseia tanto em documentos curriculares, quanto dos textos de estudo, participação em situações de formação, quanto das próprias experiências vivenciadas pelo professor; dos conhecimentos sobre os conteúdos escolares; dos resultados da avaliação acerca do que os estudantes sabem; das concepções sobre quais são as melhores estratégias de ensino, dentre outras.

Acreditamos que, quanto mais consciência o professor tiver acerca dos princípios que regem sua prática, maior autonomia terá no processo de planejamento e realização da ação didática.
Em um estudo sobre os princípios didáticos que regiam as práticas de duas professoras do quinto ano do Ensino Fundamental de escolas municipais de ensino de Recife e Jaboatão dos Guararapes, Lima (2011) identificou princípios fundamentais que levaram a autora a considerar que as professoras analisadas tinham uma dinâmica centrada em uma perspectiva sociointeracionista de ensino. Por meio das análises de relatórios de aula, elaborados com base nas anotações, gravações e filmagens, a autora identificou dez princípios subjacentes à maior parte das aulas das professoras:
 (1) ensino reflexivo – as professoras estimulavam as crianças a refletir sobre os conhecimentos, evitando situações em que os conhecimentos eram simplesmente transmitidos por elas;
(2) ensino centrado na problematização – as professoras planejavam atividades em que as crianças eram desafiadas a resolver problemas diversos; havia desafios que motivavam as crianças a querer aprender;
(3) ensino centrado na interação em pares – as professoras priorizavam situações em que a aprendizagem se dava por meio da interação em grandes grupos, em pequenos grupos, em duplas; as atividades individuais sempre culminavam em momentos de socialização e discussão;
(4) ensino centrado na explicitação verbal – as crianças eram estimuladas a falar sobre o que pensavam, a responder perguntas; elas não tinham medo de errar porque sabiam que podiam dizer o que pensavam sem passar por constrangimentos; entendiam que todos estavam aprendendo;
(5) favorecimento da argumentação – as crianças eram estimuladas a expor e justificar suas opiniões; os diferentes pontos de vista na sala de aula eram confrontados; as professoras valorizavam as posturas de respeito, mas com explicitação das diferentes possibilidades de pensar sobre os conhecimentos;
(6) sistematização dos saberes – as professoras realizavam atividades de sistematização dos conhecimentos ensinados; havia momentos de sínteses em relação aos conhecimentos acumulados, seja por meio de exposições breves, seja por meio de registro coletivo das aprendizagens realizadas;
(7) valorização dos conhecimentos dos alunos – as docentes frequentemente realizavam atividades para saber o que as crianças pensavam sobre os conteúdos que estavam sendo ensinados; utilizavam tais conhecimentos para planejar as atividades e como ponto de partida nos momentos de resolução de problemas; as professoras estimulavam as crianças a expor seus conhecimentos, valorizando o que elas diziam; investiam também no aumento da autoestima das crianças;
(8) incentivo à participação dos alunos – as professoras se dirigiam às crianças quando percebiam que elas estavam apáticas, sobretudo as crianças mais tímidas ou que não tinham iniciativa de participação nas atividades;
(9) diversificação de estratégias didáticas – as professoras realizavam vários tipos de atividades para contemplar um determinado conteúdo; elas diversificavam tanto os recursos didáticos quanto as atividades;
(10) ensino centrado na progressão – as docentes contemplavam um mesmo conteúdo em aulas diferentes, aumentando o grau de dificuldade.

Enfim, esse estudo mostra que quando as aulas são bem planejadas, os estudantes se envolvem mais. No entanto, é interessante observar que alguns desses princípios dizem respeito não necessariamente ao tipo de atividade planejada, e sim às posturas, aos modos de mediação, à capacidade de explicar e dialogar com as crianças. Desse modo, a melhoria da prática pedagógica envolve, por um lado, a ampliação contínua dos conhecimentos, mas também o desenvolvimento de modos de interagir com os alunos.

AS ROTINAS DA ESCOLA E DA SALA DE AULA: REFERÊNCIAS PARA A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO DO PROFESSOR ALFABETIZADOR
O que é rotina?
Ela é um mal ou um bem necessário?
Por que tantas vezes ela é temida, criticada e/ou desejada?

Rotina em sentido negativo = realização diária de atividades repetitivas, cansativas, que fazemos sem refletir, sem saber o que, como e para que a fazemos.
Nas décadas de 1960/70, as escolas adotavam modelos baseados na psicologia comportamentalista e no tecnicismo para organizar a rotina da sala de aula. O dia a dia da sala de aula era transformado em uma sucessão de atividades repetitivas guiadas, no geral, por manuais que garantiam a absorção máxima do que era proposto.
Na década de 1980, houve a difusão das teorias construtivistas e sócio-interacionista de ensino aprendizagem, porém por meio de uma interpretação equivocada da teoria construtivista, passou-se a criticar tudo o que se relacionava com planejamento e organização do trabalho pedagógico com a justificativa de que era “tradicional”, velho e ultrapassado. Nessa perspectiva o professor não precisaria se programar para realizar as atividades, pois estas iriam surgir na própria prática cotidiana.
Rotina num sentido positivo = concordamos, portanto, com Leal (2004. p.02) quando a autora defende a importância do planejamento para a vida escolar ao afirmar que, as rotinas escolares asseguram que alguns “procedimentos” básicos sejam “acordados” entre professor e alunos e que os mesmos já se disponibilizem dentro do espaço temporal e espacial para as tarefas pedagógicas.
Como desenvolver práticas de alfabetização em tal perspectiva e no que elas efetivamente se diferenciam das outras?
A construção de uma rotina escolar que contemple os diferentes eixos de ensino da língua, por meio de um planejamento elaborado com base na realidade de cada aluno e da escola, pode favorecer a realização de atividades que ajudem a promover a autonomia e a criatividade dos alunos no mundo da leitura e da escrita.
Uma Rotina deve possuir:
·         ATIVIDADES PERMANENTES
·         SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS
·         PROJETOS DIDÁTICOS
·         JOGOS (POR EXEMPLO, AQUELES ENVIADOS PELO MEC)




Rotinas de alfabetização na perspectiva do letramento: a organização do processo de ensino e aprendizagem

Como organizar propostas de ensino que contribuam, efetivamente, para a apropriação da alfabetização na perspectiva do letramento?
                                                    


ATIVIDADES
PERMANENTES
SEQUÊNCIA
DIDÁTICA
PROJETO
DIDÁTICO
JOGOS
São as que acontecem ao longo de um determinado período de tempo na rotina e são importantes para o desenvolvimento de conceitos, procedimentos e atitudes.
PERIODICIDADE: semanal, quinzenal, diária.
 - as atividades se repetem de forma sistemática e previsível.



Atividades planejadas de forma sequenciada, de modo que a ordem interfere na sua realização: as respostas dos alunos a uma atividade direcionam e são mobilizadas na atividade seguinte.  
São situações didáticas articuladas em torno de um conhecimento específico.
 Possuem uma sequência crescente de desafios e não tem um produto final.
PERIODICIDADE: variável
Obs.: Podem ocorrer também atividades ocasionais.
As ações propostas têm relação entre si e fazem sentido em função do produto final.
Pressupõe um problema a ser resolvido. Articulam-se em função de uma finalidade e de um produto final compartilhado.
Contextualizam as atividades.
Podem ser interdisciplinares.
PERIODICIDADE: depende dos objetivos propostos.
 - um projeto pode ser de dias ou meses.
Na alfabetização como atividades diárias que proporcionam reflexão sobre o Sistema de Escrita Alfabética, contemplando diferentes unidades linguísticas.




A organização dos diferentes tipos de atividades depende das aprendizagens esperadas para a turma e devem ser distribuídas de forma equilibrada e progressiva na rotina semanal, bem como estas devem contemplar ações como reflexão, sistematização e consolidação dos direitos de aprendizagem.

ROTINA NA ALFABETIZAÇÃO: INTEGRANDO DIFERENTES COMPONENTES CURRICULARES

É fundamental, não perder de vista que diferentes dimensões do ensino são interligadas, mas há especificidades a serem contempladas.
No componente Língua Portuguesa, os direitos de aprendizagem são organizados em quatro eixos centrais:
1.      Leitura.
2.      Produção de textos escritos.
3.      Linguagem oral.
4.      Análise linguística.
No eixo da leitura, três dimensões interligadas precisam ser enfatizadas:
·         Sociodiscursiva – propósitos para os quais os textos foram escritos.
·         Estratégias de leitura – saber antecipar sentidos, elaborar inferências, estabelecer relações entre partes do texto, entre outras estratégias.
·         Conhecimentos linguísticos – englobam o funcionamento do sistema alfabético, o domínio da correspondência entre letras e algumas convenções ortográficas e pontuação e paragrafação.
No eixo da produção de textos escritos também podem ser destacadas três dimensões:
·         Sociodiscursiva – propósitos e destinatários para os quais os textos estão sendo escritos.
·         Estratégias de produção de textos  - planejamento global dos textos, planejamento em processo, revisão, avaliação e revisão posterior do texto.
·         Conhecimentos linguísticos – conhecimentos sobre o sistema alfabético e convenções ortográficas, coesão textual, pontuação paragrafação e concordância.
No eixo da linguagem oral quatro eixos podem ser contemplados:
·         Valorização dos textos de tradição oral
·         Oralização dos textos escritos – recitais de poesias, obras teatrais, leitura de contos em saraus, dentre outros.
·         Relação entre fala e escrita – ex: receitas culinárias e instruções de jogos socializadas por meio da oralidade e da escrita.
·         Produção e compreensão de gêneros orais – situações em que é preciso participar de interações falando e ouvindo com atenção, ex: notícias radiofônicas, debates e exposições orais em público.
Por fim, no que se refere a analise linguística, as dimensões são:
·         Caracterização e reflexão sobre os gêneros e suportes textuais: reflexões sobre onde circulam os gêneros em foco, com que finalidade, para quais tipos de destinatários.
·         Reflexão sobre o uso de recursos linguísticos para constituição de efeitos de sentido em textos orais e escritos: convenções gramaticais, o texto é objeto de análise quanto às pistas linguísticas dadas para sua compreensão.
·         Domínio do sistema alfabético e da norma ortográfica – conhecimentos necessários para que o texto seja legível, por atender aos princípios de funcionamento da escrita alfabética e às convenções da ortografia.

OS GÊNEROS TEXTUAIS COMO OBJETOS DE ENSINO E COMO INSTRUMENTOS DE INTERAÇÃO
Toda sociedade detém um conjunto de gêneros que são usados para os diversos fins, por diferentes grupos sociais, e a familiaridade com tais gêneros facilita a apreensão das intenções comunicativas, pois cria expectativas sobre o que será lido e facilita o processo de produção.


Atividades Permanentes

   Elas devem envolver os eixos da alfabetização:
(i)            Leitura;
(ii)          Produção de Textos;
(iii)        Análise linguística;
(iv)        Oralidade.

Exemplos de Atividades Permanentes:

Produção de Textos Escritos (individualmente, coletivo, em duplas):
·         Produção de textos de gêneros variados (bilhete, convite, regras, lista com nomes de colegas etc);
·         Reescrita;
·         Texto oral com destino escrito (entrevista).

Leitura:
·         Leitura realizada pelo professor (deleite, preferencialmente com textos literários);
·         Leitura realizada pelos alunos (silenciosa, compartilhada de gêneros diversos);
·         Leitura na biblioteca (A Hora do Conto).

Análise linguística:
·         Atividades para compreender as diferenças entre escrita e outras formas gráficas (outros sistemas de representação)
·         Atividades para conhecer o alfabeto;
·         Atividades para reconhecer unidades fonológicas como sílabas, rimas terminações de palavras;
·         Atividades para dominar as relações entre grafemas e fonemas (regularidades e irregularidades ortográficas).

Oralidade:
·         Jornal falado;
·         Seminários;
·         Reconto de textos;
·         Assembleia;
·         Debates sobre temas estudados.

No que se refere as atividades de:  Sequência Didática;    Projeto Didático e Jogos, estas serão abordadas nas próximas Unidades.